Lavradores vão às ruas lembrar crime
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Da Redação e sucursais 
Marcos NegriniProtestoEm cima dos caminhões, em ônibus e automóveis, cerca de 800 trabalhadores rurais da região Noroeste do Paraná foram até Paranavaí participar da manifestação pró-reforma agrária e exigir punição aos culpados pelo massacre de Eldorado de CarajásCerca de oitocentos trabalhadores rurais da região Noroeste do Paraná realizaram ontem de manhã passeata pelas principais ruas de Paranavaí, a 70 quilômetros de Maringá, reivindicando reforma agrária, empregos e prisão para os 155 PMs acusados do massacre de 19 sem-terra, há um ano, em Eldorado de Carajás (PA).
Com nove caminhões, cinco ônibus e 16 automóveis, os trabalhadores saíram na quarta-feira à noite de Querência do Norte, a 120 quilômetros de Paranavaí, realizaram manifestações em Planaltina e Amaporã e chegaram às 10h30 de ontem a Paranavaí. A carreata passou pelo centro da cidade e parou no alto da Avenida Gabriel Esperidião, onde os sem-terra iniciaram uma caminhada, em três filas, até o centro da cidade. Vereadores, sindicalistas e membros da CUT e do PT acompanharam a manifestação de longe. As únicas bandeiras presentes à manifestação eram as do Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Cada família de sem-terra da região enviou apenas um representante à manifestação. Eles representaram 14 áreas assentadas e ocupadas nos municípios de Querência do Norte, Monte Castelo, Santa Isabel do Ivaí e Paranacity. Nas três primeiras, existem dez áreas: oito acampamentos e dois assentamentos. Em Paranacity, um assentamento e três áreas ocupadas.
Não houve incidentes. A Polícia Militar controlou o trânsito nas ruas por onde os trabalhadores passaram. A população aplaudiu e apoiou as reivindicações.
O megaacampamento, anunciado pelo MST no Norte do Paraná, começou ontem a receber novas famílias na Fazenda Ingá, nos limites de Alvorada do Sul (65 quilômetros ao norte de Londrina) e Bela Vista do Paraíso. Cerca de 150 famílias já se instalaram e a previsão do movimento é de receber aproximadamente 2.000 famílias. Elas ficarão acampadas até o dia 30 de julho.
O dirigente do MST na região Norte, Josmar Choptian, disse que o acampamento está sendo iniciado e vai pressionar o governo e o Incra a realizar novos assentamentos. Estaremos recebendo as famílias até o final do mês. Estas pessoas foram preparadas desde janeiro para o acampamento e já não tinham onde ficar, comentou. Elas são oriundas de núcleos de Apucarana, Florestópolis e Londrina.
Fortes chuvas durante todo o dia de ontem na região Centro-Oeste do Paraná impediram manifestações que estavam programadas pelo MST, principalmente para a cidade de Laranjeiras do Sul. Estava programada uma passeata, entre a cidade e a BR-277, com participação que era estimada em pelo menos duas mil pessoas.
Na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu, município vizinho a Laranjeiras do Sul, não houve atos organizados, mas as cerca de 1.650 famílias acampadas lembraram a passagem do primeiro ano da ocupação das terras, de propriedade da empresa Giacomet-Marodin. Dos 83 mil hectares da propriedade, 16.852 já foram desapropriados pelo governo federal. O MST quer desapropriação de área maior, para assentar todas as famílias.
Em Curitiba, a manifestação do Dia Nacional de Luta teve caráter simbólico, conforme definiram os participantes. O ato público marcado para as 15 horas na Boca Maldita reuniu cerca 20 integrantes da Comissão Nacional da Terra que marcharam em direção ao Fórum Criminal em protesto à falta de punição dos responsáveis pelos massacres ocorridos no campo.
Os participantes da passeata da Comissão Nacional da Terra e Comissão Pastoral da Terra (CPT) levaram 19 cruzes de madeira, simbolizando as vítimas do massacre de Eldorado de Carajás, ocorrido há um ano.


