ITAQUIRAÍ - Os sem-terra, que desde o dia 8 ocupam a fazenda Santo Antonio, em Itaquiraí (a 480 quilômetros de Campo Grande), no Mato Grosso do Sul, aguardam uma nova visita do secretário de Segurança Pública do Estado, Joaquim Felipe de Assunção Souza, para devolver as armas que tomaram de policiais militares na sexta-feira. A informação foi dada ontem por um representante do líder do MST na fazenda, Antonio Alves.
O secretário é aguardado de volta à fazenda ainda esta semana. A visita não foi confirmada. Segundo a liderança, os sem-terra querem falar diretamente com o secretário sobre a forma ‘‘perigosa’’ como estão sendo tratados pela polícia. Na sexta-feira, os sem-terra renderam e desarmaram três policiais que faziam barreira na entrada da fazenda. Três revólveres, uma escopeta, uma carabina e uma submetralhadora continuam no acampamento.
De acordo com o capitão da PM em Naviraí, Joel Martins dos Santos, os policiais cumpriam uma ordem para não deixar mais nenhum sem-terra entrar no acampamento. Segundo ele, cerca de 200 pessoas armadas com foices e facões ameaçaram e fizeram os PMs de reféns durante duas horas. O capitão também acusa os sem-terra de terem danificado um carro da polícia.
A reação aconteceu um dia depois da visita do secretário de Segurança ao acampamento. Até ontem a posição do governo do Estado era de conceder uma outra área aos sem-terra. Um fazendeiro de Japorã, na divisa com o Paraguai, estaria disposto a ceder a propriedade para desapropriação em troca de parte de uma dívida.
Alguns PMs continuam acompanhando o movimento próximo do local. Segundo Santos, várias pessoas chegam todos os dias para se juntar aos sem-terra, mas também é grande o número de acampados que deixam o local, possivelmente para as duas áreas invadidas na madrugada de anteontem em Cáceres e São José do Povo, no vizinho Mato Grosso.
No dia da invasão foi anunciado um total de 2,5 mil famílias na fazenda. O MST rebateu o número e anunciou 1,2 mil famílias. Ontem, segundo o MST, este número era mantido. O movimento na rodoviária de Itaquiraí aponta para um esvaziamento. Desde o final do ano passado os ônibus não saíam tão lotados, de acordo com uma vendedora de passagens. Para o MST, os sem-terra em viagem estão a serviço do movimento para negociações com o governo.

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