Cerca de 2.500 lavradores -ou 5.000, segundo os organizadores-, protestaram ontem em Recife contra o desemprego no campo e a contra a política oficial de combate à seca em Pernambuco.
Houve passeata no centro da cidade e manifestações em frente ao palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, e ao prédio da extinta Sudene, que abriga o recém-criado ‘‘ministério da seca’’.
Representantes do governo receberam uma comissão dos manifestantes, formada por integrantes da Fetape (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco), organizadora do protesto, da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Igreja Católica. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) não participou do evento.
Os lavradores entregaram ao secretário estadual do Planejamento e Desenvolvimento Social, José Arlindo Soares, um documento reivindicando, entre outras coisas, ações permanentes para convivência com a seca.
Solicitaram também a implantação de um programa de renda mínima para 400 mil lavradores, mais recursos e anistia das dívidas contraídas com os governos federal e estadual.
O secretário informou ter enviado ao ‘‘ministro da seca’’, Raul Jungmann, proposta de criação de um seguro agrícola e de uma ‘‘bolsa de emergência’’ para substituir as cestas básicas.
Houve protesto contra a seca na Paraíba também. Cerca de 500 pessoas, segundo a PM, promoveram ontem uma passeata por ruas de João Pessoa, em ato organizado pela CUT -que estimou em mil o número de participantes.
A manifestação serviu para marcar a entrega de uma pauta de reivindicações da central à presidência da Assembléia Legislativa e ao governo do Estado.
Entre as exigências para implementação imediata, carros-pipa, frentes de emergência e distribuição de alimentos.
Segundo dados da Defesa Civil estadual, 158 dos 223 municípios da Paraíba decretaram estado de calamidade pública em razão da estiagem. Desse total, o governo homologou 133 casos. Cerca de 670 mil pessoas vivem nas cidades cujas prefeituras decretaram calamidade.

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