PORTO ALEGRE - O frei franciscano José Carlos Gowaski, 26, ex-assentado em Eldorado do Sul (RS), e os sem-terra Augusto Moreira da Silva e Otávio Amaral se apresentaram ontem à Justiça em Porto Alegre. Eles foram condenados junto com outros três sem-terra por participarem da morte do soldado PM Valdeci Lopes, em agosto de 1990. Segundo a Superintendência de Serviços Penitenciários, havia mandado de prisão contra os sem-terra desde 8 de julho de 1993. O julgamento que os condenou ocorreu em julho de 1992. Eles aguardavam em liberdade um recurso contra a condenação, no qual foram derrotados. Dois dos sem-terra, Idone Bento e José Algemiro de Campos, foram presos no início desse mês. Daí os outros decidiram se apresentar. O MST disse ontem que os lavradores não haviam sido notificados para se apresentarem à Justiça. O movimento atribuiu às prisões ‘‘a ofensiva do governo federal sobre o Judiciário em função da luta pela reforma agrária’’, disse Ivonete Tonin, uma das líderes do MST no Estado.
Hoje deve se apresentar à Justiça a sem-terra Elenir Nunes dos Santos, completando o grupo dos condenados por terem ‘‘concorrido’’ para a morte do PM. Nenhum dos sem-terra foi condenado como o autor direto - quem desferiu o golpe de foice - da morte do soldado.
As condenações deles variaram de quatro a sete anos em regime aberto (Moreira) e semi-aberto (os demais). Três sem-terra estão no Instituto Penal Mariante. Gowaski deixou o assentamento de Eldorado do Sul e se tornou frei no ano passado. O chefe dos franciscanos no Rio Grande do Sul, frei Nestor Schwerz, 47, disse que a Ordem acredita na inocência de Gowaski.

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