Lavrador morre em confronto com sem terra
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segunda-feira, 21 de junho de 2004
Evandro Fadel 
Curitiba- Depois de uma trégua, os sem-terra voltaram a invadir fazendas no Paraná. No fim de semana, houve uma morte durante confronto com funcionários de uma fazenda em Candói. E duas áreas foram invadidas, em Laranjal e em Cândido de Abreu, municípios na região central do Estado. ''É um tempo de guerra de novo'', afirmou o presidente da União Democrática Ruralista (UDR) em Guarapuava, Humberto Sá.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, o confronto foi na fazenda Caracu, em Candói. A área, de cerca de 600 alqueires, fora desocupada há cerca de um mês, com acordo para que os sem-terra pudessem fazer a colheita em 30 dias, prazo encerrado na sexta-feira. Os funcionários da fazenda começaram a montar um acampamento para refazer a cerca da propriedade e isso teria causado a desavença.
No confronto, no sábado, o funcionário Alcindo Cecílio foi morto com um tiro no pescoço. A polícia prendeu Ivaldino Simões Rodrigues, de 43 anos. De acordo com a delegada de Guarapuava, Daisi Terezinha Dorigo Barão, o sem-terra foi atuado por homicídio, receptação de objeto roubado, no caso um revólver calibre 38, e porte ilegal de arma.
Há informação de que Cecílio seria um ex-sem-terra que teria procurado emprego na fazenda em razão das dificuldades de sobrevivência. Isso ainda não foi comprovado.
UDR - De acordo com o presidente da UDR da região central do Paraná, a situação mais grave é a da fazenda Bandeirantes, em Laranjal, onde havia cinco pessoas como reféns. A Secretaria de Segurança Pública negou, dizendo que o administrador, sua mulher e os três filhos decidiram permanecer na propriedade por decisão própria, não por imposição das cerca de 100 pessoas que invadiram a área, de 600 alqueires.
Os dados repassados pela Polícia Militar à Secretaria apontam que a fazenda Laguiche, em Cândido de Abreu, de 1.200 alqueires, foi invadida por 800 pessoas. Segundo a Secretaria, o gado deveria ser entregue ainda hoje ao arrendatário da área. A assessoria de imprensa da secretaria afirmou que a propriedade é de um francês e tem 600 alqueires de mata nativa.
A UDR acredita que as invasões sejam uma represália do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra por causa da desocupação de duas fazendas na semana passada. A Secretaria entende, no entanto, que não há ligação entre os episódios e espera a decisão da Justiça sobre reintegração de posse. Na sede do MST em Curitiba a secretária disse que nesta semana não haveria nenhuma liderança para dar informação.


