Lavrador mata passageiro em viagem de ônibus
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 21 (AE) - O lavrador João Plácido da Silva, de 52 anos, matou o promotor de vendas Marmon Luiz Pedroso Cascão, de 35 anos, que morava em Curitiba, com dois tiros, dentro de um ônibus da empresa Cometa, ontem de madrugada, em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba. Paranóico, Silva acreditava que todas as pessoas planejavam matá-lo e desconfiou de Cascão, que viajava num banco próximo. Levantou-se, foi até ele e atirou. Na segunda-feira ele será submetido a exame de sanidade física e mental.
Morador em Salto (SP), Silva estava indo para Vacaria (RS) na tentativa de, por meio de familiares que residem naquela cidade, conseguir emprego em alguma fazenda. Quarta-feira ele deixou sua cidade num ônibus da Itapemirim. Quando chegou em Registro, na divisa com o Paraná, desceu do ônibus, pois segundo contou ao delegado de Campina Grande do Sul, José Carlos de Oliveira, começou a desconfiar que os passageiros iriam assassiná-lo.
Ele ficou andando por um restaurante, onde os ônibus param e, de madrugada, conseguiu lugar num ônibus da Cometa. Sentado no terceiro banco, desconfiou que Cascão, que estava no banco da frente e conversava com uma mulher, tramava matá-lo. De repente, levantou-se, foi no primeiro banco e, de lá, atirou três vezes. Uma das balas não saiu, mas as outras duas acertaram o rapaz no braço e no peito.
De acordo com o delegado, houve pânico entre os passageiros, mesmo com o ônibus parado. Um deles chegou a pular pela janela. "Foi um sufoco", disse Oliveira. Na confusão, Silva saiu pela porta dianteira, deixando a arma embaixo da poltrona. O motorista do ônibus levou o veículo até o posto da Polícia Rodoviária para dar atendimento a Cascão, que acabou morrendo duas horas depois no hospital de Campina Grande do Sul.
Silva foi preso 10 quilômetros longe do local onde descera. Para o delegado, a morte de Cascão foi uma fatalidade. "Qualquer pessoa que estivesse naquele banco certamente morreria", afirmou. "Todos os passageiros estavam expostos à ação de uma pessoa que aparentemente não tem desequilíbrio contínuo, mas que uma vez ou outra sente a mania de perseguição." Os irmãos de Silva disseram que ele realmente tem esse problema, mas nunca tinha cometido qualquer crime. O lavrador disse que comprou a arma em uma feirinha.


