Lavrador é denunciado com base em nova lei do idoso
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terça-feira, 06 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Belo Horizonte - Internada na última sexta-feira, após passar cerca de 20 dias sem comer e tomar banho, Idalina da Silva, 73 anos, morreu, no final da manhã de ontem, no hospital municipal de Felixlândia, a 200 quilômetros de Belo Horizonte, na região centro-oeste do Estado, em decorrência de desnutrição e desidratação. Acusado de maltratar e abandonar a mãe, com a qual morava, o lavrador Bento da Silva vai responder em liberdade a um processo por negligência, no primeiro caso registrado no País, já com base no Estatuto do Idoso, em vigor desde o primeiro dia do ano.
Após internar a mãe, que deu entrada no hospital da cidade inconsciente, em estado grave, o lavrador foi denunciado pelos médicos e preso em flagrante pela Polícia Militar. ''Amparados pela nova legislação fomos obrigados a fazer a denúncia, pois o quadro de saúde dela era péssimo. A idosa não contava com hábitos básicos de higiene e alimentação adequada há cerca de um mês. O estado de choque provocou alterações cardiológicas e respiratórias, por isso a aposentada chegou com pressão arterial baixa e falta de ar'', explicou o clínico-geral Jonhson de Oliveira.
Bento da Silva era o responsável legal pela mãe. O lavrador recebia a aposentadoria de R$ 240 a que a mãe tinha direito. A negligência com o idoso é crime previsto no artigo 99 do Estatuto do Idoso, com pena de reclusão de um a quatro anos. O acusado mora na área rural de Felixlândia. A idosa seria transferida para um Centro de Terapia Intensiva (CTI) em Belo Horizonte a pedido dos médicos, que fizeram a solicitação junto à Secretaria Municipal de Saúde, mas não resistiu e morreu na manhã de ontem.


