Araçatuba, SP, 13 (AE) - Cerca de 1,2 milhão de pés de laranja estão sendo destruídos nas regiões de Araçatuba e Andradina, extremo Noroeste do Estado, por causa do cancro cítrico, que esse ano já foi identificado em mais de mil propriedades rurais. Os focos estão sendo localizados por equipes técnicas do Fundo de Desenvolvimento da Citricultura Paulista (Fundecitros), em convênio com a Secretaria Estadual de Agricultura.
O agrônomo João Carlos Berthola, chefe do Escritório Regional de Defesa Agropecuária de Andradina, que reúne 13 municípios, disse hoje que a erradicação não deverá trazer sérios problemas para a economia da Alta Noroeste porque a maioria das lavouras não tinha finalidades comerciais. Das 349 propriedades onde se localizaram plantas doentes, apenas 20 eram destinadas à comercialização. Berthola disse que mesmo nas grandes lavouras a laranja sempre foi uma atividade secundária.
Mesmo assim, ele acredita que o principal reflexo será o aumento no preço do produto, já que praticamente 100% dos laranjais estão sendo arrancados e carbonizados "conforme determina a lei".
Hoje, no município de Castilho, foram contabilizadas mais 22 novas lavouras com suspeita de contaminação. A maior delas, com mais de 30 mil pés na Fazenda Beira Rio, de propriedade do empresário Régis Rahal foi totalmente dizimada. O mesmo aconteceu em Valparaíso, nos laranjais de proporções idênticas formado pela família Lunardeli.
No Escritório de Defesa Agropecuária de Araçatuba, foram contabilizados hoje mais 92 focos de cancro cítrico. O agrônomo chefe da repartição, José Alécio Canola, disse que em 18 municípios foram registrados esse ano 715 focos da doença, todos na zona rural. Canola disse que em 3% dos casos é preciso reforço policial para o procedimento sanitário de erradicação. "Os proprietários se dizem afeiçoados pela lavoura e nem sempre suportam assistir o trabalho de varredura", diz o técnico.
Para Canola, o maior problema será quando a atividade de erradicação chegar ao perímetro urbano. "É nas cidades, nos fundos de quintal, que iremos encontrar a maior resistência dos proprietários", diz o agrônomo. Há quase duas décadas os pomares de citros foram se ampliando na Alta Noroeste, contrariando a tendência que sempre foi para a pecuária de corte. Segundo os técnicos, o cancro cítrico se alastrou de forma fulminante porque na maioria das propriedades não havia sistema de controle de controle sanitário.

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