'Lavagem' descontamina sêmem de portador de HIV
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de maio de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O vírus HIV não é mais empecilho para homens contaminados terem filhos saudáveis. Uma técnica de ''lavagem'' de sêmen que descontamina o espermatozóide já está sendo adotada em Curitiba por uma clínica de reprodução humana. As chances de sucesso da lavagem são de 95%. O primeiro casal que se submeteu à técnica vai ter o bêbe, já comprovadamente saudável, em outubro.
''Mesmo depois de descobrir a doença nunca perdemos a esperança. Só resolvemos adiar um pouco. Fomos em um primeiro médico e saímos desmotivados, mas mesmo assim continuamos procurando até conseguir'', conta a primeira paranaense que engravidou com a ajuda da técnica. O casal, junto há três anos e meio, preferiu não se identificar.
Para o diretor da clínica e laboratório Androlab, Lídio Ribas Centa, que está disponibilizando a ''lavagem'', o que falta mesmo é conhecimento das pessoas da técnica. Até mesmo porque as chances de sucesso na desinfecção são grandes, maiores até que as chances de a gravidez efetivamente dar certo. Dependendo do número de espermatozóides que sobrar da lavagem, a mulher precisa fazer fertilização em vitro, o que dá uma chance de 40% a 60% de gravidez. Já a inseminação artificial, método mais barato, diminui as chances para 20%.
O primeiro passo no tratamento é o homem fazer um exame para verificar se é fértil. Em caso positivo, o sêmen é colocado em um tubo de ensaio com um líquido que o mantém vivo. Depois esse conteúdo é centrifugado e o líquido seminal se separa do sêmen. Centa explica que o vírus fica na superfície do sêmen e no líquido seminal. O segundo passo é colocar o sêmen junto ao meio de cultura em outro tubo com substância que atrai os espermatozóides. Depois de ir mais uma vez para a centrífuga, no final apenas o material saudável é retirado.
Todo esse processo faz com que muitos espermatozóides morram. Mesmo assim ainda é preciso retirar parte do material saudável para fazer novos testes e confirmar se ele está livre da doença. Enquanto os exames são feitos, o restante é congelado para ser inseminado na mulher mais tarde. ''Se a amostra der resultado negativo certamente o que foi congelado também está descontaminado'', explicou o médico. Mas se a inseminação não der certo, o processo tem que ser todo refeito, inclusive o congelamento.
A escolha das técnicas para fazer a fertilização vai depender da quantidade de espermatozóides que sobrar. Se for menos de 5 milhões, considerado pouco, o melhor é fertilização in vitro. Esse foi o caso do casal citado na matéria. Se sobrou mais material, pode-se fazer a inseminação artificial, quando o espermatozóide é introduzido na mulher durante o período fértil. O custo do processo varia de R$ 1 mil a R$ 10 mil. O que encarece é justamente a fertilização in vitro. Com a inseminação artificial o casal paga, em média, R$ 2,5 mil. ''Fizemos um financiamento'', conta o casal.


