Campinas, SP, 12 (AE) - O esquema de lavagem de dinheiro usado pelo crime organizado no País movimenta cerca de US$ 50 milhões por mês. A informação faz parte de um dossiê que está sob a investigação da CPI do Narcotráfico. O documento reúne contas bancárias de pessoas e empresas que seriam o elo entre a conexão Campinas, supostamente chefiada pelo empresário Willian Walder Sozza, e o deputado cassado do Acre Hildebrando Paschoal.
O dossiê foi entregue ao deputado Robson Tuma (PFL-SP) há uma semana por um informante, cuja identidade está sendo mantida em sigilo. "Trata-se de uma pessoa que fazia parte do grupo, mas agora está descontente", disse Tuma. O deputado informou tratar-se de uma estrutura gigantesca especializada na remessa e lavagem de dinheiro no exterior. "Muitas das informações já checadas foram confirmadas", comentou.
Os dados, ainda sob investigação, também apontam ligações do crime organizado no País com o tráfico internacional de drogas, armas, e com as máfias libanesa e japonesa. Tuma acredita que até a rede colombiana de tráfico de drogas, conhecida como Cartel de Cáli, estaria usando o esquema montado no Brasil para lavar dinheiro. "Por ser um esquema supostamente forte, pode haver várias ramificações."
Um homem magro, alto, claro, aparentando 40 anos, que costuma apresentar-se pelo nome de Maurício Radice, seria o cérebro financeiro da suposta quadrilha. De acordo com o dossiê, porém, ele utilizaria outras quatro identidades falsas. Radice, que é praticamente um desconhecido, a partir de agora, segundo Tuma, passou a ser um dos homens mais procurados pela CPI, ao lado de Sozza, que está foragido desde o dia 14 de outubro.
Segundo Tuma, o esquema de lavagem de dólares funciona há pelo menos 15 anos. Somente nos últimos dez meses, Radice teria providenciado a lavagem de aproximadamente US$ 500 milhões. "Num mês considerado fraco a quadrilha chegou a lavar US$ 54 milhões", disse o deputado. Esse valor, segundo o dossiê, seria resultado da ação de várias quadrilhas ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado no País.
"Esses grupos enviam o dinheiro sujo para o esquema montado em Campinas fazer a lavagem", explicou. Os dados que Tuma está investigando incluem números de contas bancárias e valores de depósitos feitos em agências de várias cidades, entre elas Campinas, Curitiba, Londrina, Maceió, Beirute e Nova York.
De acordo com o dossiê, Radice faria a lavagem de dinheiro por meio dos chamados empréstimos back-to-back. A operação consiste em depositar num banco do exterior o dinheiro remetido ilegalmente por meio das operações. Ao mesmo tempo, o dono do dinheiro monta uma ou várias empresas no País e solicita um empréstimo ao banco no exterior para onde o dinheiro foi remetido.
Em seguida, o banco no exterior envia para a empresa brasileira o dinheiro que já está depositado em sua conta. Dessa forma, o montante retorna ao País na forma de dinheiro limpo. Mensalmente, a instituição financeira no exterior envia um recibo, como se o empréstimo estivesse sendo pago normalmente. Como todo empréstimo feito no exterior tem de ser avalizado pelo Banco Central, as investigações não excluem a possibilidade de tráfico de influência.

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