Laudos confirmam linha investigativa do caso Daniel
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sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Rafael Costa <br> Reportagem Local 
Curitiba - Peritos do Instituto de Criminalística e do IML (Instituto Médico Legal) do Paraná apresentaram na tarde desta quinta-feira (22) os laudos periciais do inquérito sobre a morte do jogador Daniel Freitas, assassinado em outubro. Foram entregues ao delegado responsável pelo caso os resultados das perícias na casa do assassino confesso Edison Brittes, no carro que transportou o jogador e nos locais da morte e do abandono do cadáver, além de exames do corpo e de amostras biológicas.
Na avaliação do delegado Amadeu Trevisan, os exames corroboram as conclusões da investigação. "Realmente os laudos vieram para robustecer aquilo que já temos dentro do inquérito policial. Toda linha investigativa vai ao encontro do que os laudos estão dizendo", disse, após entrevista coletiva na sede do IML de Curitiba.
Com a entrega dos exames, a previsão é que o MPPR (Ministério Público do Paraná) conclua a denúncia já nesta sexta-feira (23). Trevisan disse ter "certeza absoluta" de que o promotor João Milton Salles irá apresentá-la à Justiça. O delegado voltou a dizer que Brittes deve permanecer preso. "Edison Brittes é um sádico, um frio. Não tem remorso. E, como disse, é de uma periculosidade acentuada", disse. "As testemunhas vieram e falaram exatamente porque ele estava preso. Solto, ele poderá amedrontar as testemunhas", disse.
A necropsia confirmou que a causa da morte de Daniel foi uma degola parcial causada por "instrumento altamente afiado". De acordo com o diretor do IML, Paulino Pastre, não é possível determinar se a castração ocorreu quando a vítima ainda estava viva. Os exames sugerem que o fato ocorreu pouco tempo depois do ato da degola. Ainda poderia haver sinais vitais.
Trevisan sugeriu que o resultado mais esclarecedor para o inquérito veio da perícia do local em que o corpo foi abandonado. Não foram encontrados sinais de que Daniel tenha sido arrastado nos cerca de 20 metros que separam a primeira mancha de sangue, encontrada na estrada, do ponto onde o cadáver foi encontrado. Isso sugere a participação de pelo menos duas pessoas - fato que a investigação, baseada em informações de testemunhas e dos próprios acusados, não havia sido capaz de elucidar. "Aguardávamos para afirmar que, quando Daniel foi retirado do carro e levado até a plantação de pinus, Edison teve ajuda", disse Trevisan. "Essa ajuda possivelmente foi dos três que estavam junto. Pelo menos um dos três ajudou a arrastar o corpo até o local." Quanto à degola parcial do jogador, os exames não são capazes de determinar, como sustenta o inquérito de Trevisan, que Brittes foi o único autor.
DNA
Os exames de DNA sustentam que houve tentativa de eliminar vestígios do crime no carro e na casa. De acordo com o perito criminal Marcelo Malaghini, coordenador do Laboratório de Genética Molecular Forense, não foram encontrados fluídos biológicos nestes locais. "Havia claros sinais de que ambos tenham sido submetidos a uma limpeza", disse. Essa poderia ser a razão de não ter sido possível comparar o DNA dos resquícios de sangue identificados por meio do luminol no porta-malas do carro e no quarto dos Brittes. As amostras não tinham qualidade e quantidade suficientes para serem identificadas com o DNA da vítima. "Não se pode comprovar, mas é uma das circunstâncias que ocorrem quando há limpeza", disse Pastri. Para Trevisan, as afirmações dos peritos corroboram a informação de que os locais do crime foram lavados.
A versão de que o assassinato ocorreu após uma tentativa de estupro de Daniel contra Cristiana Brittes não pôde ser confrontada pelos exames. De acordo com os peritos, só um exame de Cristiana poderia ter confirmado ou descartado a tese. Eles também disseram que não há como saber se o jogador teve relação sexual logo antes de ser assassinado.
De acordo com Pastri, os exames atestaram o espancamento sofrido por Daniel. "O estudo detectou claramente a decorrência de muitas lesões, principalmente na face", disse. "Muitas lesões decorrentes de ações contundentes, que se pode exemplificar como chutes, socos", relatou.
OUTRO LADO
Em nota, a defesa técnica de Edison Brittes Junior, sua esposa, Cristiana, e sua filha, Alana, disse que "só irá se manifestar a respeito dos laudos periciais sobre a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas (...) após tomar conhecimento integral de seu conteúdo".


