A Folha apurou ontem com pessoas ligadas à Aeronáutica, que não quiseram se identificar, que uma pane no equipamento horizonte artificial do bimotor pode ter sido de fato a causa do acidente que matou os sete maringaenses no último sábado. A hipótese havia sido levantada pelo 4º Serviço Regional de Aviação Civil (Serac), de São Paulo, no início da semana. Segundo o órgão, houve contato da tripulação com a torre do Aeroporto de Congonhas relatando o problema. O horizonte artificial é um equipamento utilizado em vôo por instrumento e indica ao piloto se a aeronave está subindo ou descendo. Outra hipótese, sugerida pela fonte, é de que o avião tenha entrado em uma ‘‘CB’’– na linguagem da aeronáutica significa ‘‘nuvem preta’’, e sofrido uma forte descarga elétrica descendente. Como chovia e ventava muito no momento do acidente, a segunda hipótese chegou a ser levantada por profissionais da área. A Aeronáutica só deve divulgar um laudo oficial sobre a causa do acidente entre 30 e 60 dias.
Ainda de acordo com informações da fonte, a possibilidade do avião estar em chamas antes de cair sobre as casas é mínima. A Folha apurou ainda que se o piloto tivesse percebido qualquer problema no motor, ele teria desligado o motor e tentado um pouso forçado.
Os empresários Silvio Name Júnior, Márcio Lerro Ribeiro, Márcio Ribeiro Neto, João Isidoro Andrade e a mulher dele Gabriela Ribeiro, tinham viajado para São Paulo para participar do enterro do filho de João Isidoro, Sérgio Ricardo de Andrade, de 32 anos, morto durante um assalto ocorrido na sexta-feira. Os cinco passageiros tinham reservado passagens de volta para Maringá em avião de carreira no sábado, mas mudaram de idéia e decidiram embarcar no avião bimotor Turbo Comander, prefixo PT-YEE de propriedade da empresa agro-pecuária J. Caetano, com sede em Maringá, de um sócio de Márcio Lerro Ribeiro.
O avião decolou às 21h20 do Aeroporto de Congonhas e caiu às 21h40, na Rua Andaquará, no Jardim Marajoara, na zona sul de São Paulo. O bimotor caiu sobre três casas. Conforme testemunhas, o avião já estava em chamas antes de cair sobre as casas. (L.P.)

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