A Vigilância Sanitária de Londrina encaminhou ontem para o Laboratório Central do Estado (Lacen), em Curitiba, 120 ampolas do lote 233.007B de dipirona sódica injetável que foi interditado no município depois de levantada suspeita de que o medicamento poderia ter relação com reações adversas sentidas por dois pacientes idosos, que utilizaram ampolas do mesmo lote. Um terceiro paciente - uma criança de Prado Ferreira - também teve complicações enquanto era medicada com a droga. O laudo com o resultado das análises deve ficar pronto entre 20 e 30 dias.
Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde retificou a informação de que um dos pacientes, um homem de 71 anos, havia morrido no Hospital Universitário (HU) na terça-feira. O idoso continua internado em estado grave na UTI do Universitário assim como outro homem de 81 anos. Ambos foram medicados no Pronto Atendimento Municipal (PAM), onde são aplicadas mais de 500 doses por mês do medicamento.
O caso mais grave, no entanto, é de um menino de Prado Ferreira que está em estado crítico na UTI-pediátrica do Hospital Evangélico (HE) desde o dia 15. A criança teve parada cardiorrespiratória enquanto era medicada num hospital da sua cidade natal com dipirona injetável fabricado por um laboratório diferente do que fabricou o lote interditado em Londrina.
Ontem, o classificador de cereais Hidevaldo Aparecido Ramos, 48 anos, contou à Folha que no último dia 12 esteve no PAM por causa de dores no corpo e febre alta e ao começar a receber o medicamento passou mal e a enfermeira interrompeu a aplicação. ''Procurei a imprensa porque acho que isso pode ter acontecido com outras pessoas'', afirmou. A Secretaria de Saúde, no entanto, informou que nenhum outro caso de reação ao medicamento foi registrado.
A secretária municipal de Saúde, Josemari de Arruda Campos, explicou que o lote do medicamento foi colocado sob suspeita após o segundo caso de reação registrado no dia 17. No primeiro caso, ocorrido no dia 5 de setembro, a relação não foi feita porque um familiar disse que o paciente seria alérgico à dipirona. Josemari observou, no entanto, que além da suspeita sobre o medicamento, a Secretaria estuda ainda outras hipóteses para explicar o agravamento do quadro dos pacientes.
O lote de 12 mil ampolas de dipirona que ainda restava na rede pública de saúde foi interditado. Os postos já foram reabastecidos com seis mil ampolas de outro lote. O medicamento suspeito foi comprado de um laboratório de Goiás, tem data de fabricação de outubro de 2005 e validade de dois anos. Por ser um dos medicamentos mais baratos do mercado para o tratamento de dores e febre é largamento utilizado em todo o país. Nos Estados Unidos e países da Europa, a dipirona não é mais usada.

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