Laudo sobre fazenda no MS surpreende sem-terra
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Agência Folha Campo Grande 
Uma vistoria do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) considerou grande propriedade produtiva a fazenda Santo Antônio, de 25,5 mil hectares em Itaquiraí (380 quilômetros ao sul de Campo Grande), invadida em 8 de março último e desocupada por ordem judicial em abril. A área é reivindicada por 2.164 famílias de sem-terra que formam o maior acampamento no Estado coordenado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), à beira da rodovia BR-163.
O resultado da vistoria do Incra foi divulgado em uma reunião do Fórum da Reforma Agrária, composto por órgãos públicos e entidades de trabalhadores, que terminou na noite de anteontem em Campo Grande.
O superintendente do órgão no Estado, Renato Coimbra, 60, disse que o imóvel não será desapropriado. Coimbra comprometeu-se a assentar 300 famílias do acampamento até final do ano em outras fazendas ainda a serem definidas. A meta do órgão é assentar 2.500 famílias em 97. Lúcio Kuhnen Meurer, 30, da coordenação estadual do MST, disse que o resultado da vistoria surpreendeu os sem-terra. O pessoal do Incra dizia que havia uma área devoluta (sem título) de 5.000 hectares. A vistoria concluiu que essa área é excedente, ou seja, está incluída nos limites do título, o que impossibilitaria a arrecadação por parte do Incra.
As 2.164 famílias (6.964 pessoas) cadastradas pelo MST passaram o dia ontem em assembléia discutindo os resultados da vistoria. A direção estadual do MST em Campo Grande informou que só hoje terá informações sobre a assembléia.
O MST não descarta a possibilidade de os sem-terra reocuparem a fazenda Santo Antônio, que pertence à empresa Comapi (Companhia Agropastoril e Industrial Ltda).


