Curitiba- O laudo final da comissão técnica que aponta os prejuízos ao meio ambiente e multas a serem aplicadas contra as empresas responsáveis pela explosão do navio chileno VicuÀa, em novembro do ano passado em Paranaguá, no Litoral do Estado, ainda não foi concluído, mas já gera polêmicas. Em audiência ontem, técnicos da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa que investiga o acidente, cobraram a necessidade de limpar as áreas de mangue afetadas. O laudo de técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), no entanto, descarta a medida que, segundo o gerente do Ibama no Paraná Marino Gonçalves, não traria resultados.
Diante da não conclusão do laudo final, os deputados que integram a CEI marcaram nova audiência, que deve ser realizada só depois do recesso parlamentar de julho. A reunião será dia 4 de agosto, em Paranaguá.
O objetivo, segundo o presidente da comissão, deputado Neivo Beraldin, é saber quais os procedimentos definidos em relação aos prejuízos causados pelo acidente. ''Também queremos garantir que os recursos das multas aplicadas sejam revertidos para a solução dos problemas causados'', disse.
O laudo final, da comisão técnica integrada por representantes do Ibama e IAP, segundo Gonçalves, deve ser divulgado na próxima semana. O laudo trará os prejuízos ao meio ambiente, responsáveis e sanções. Com a demora na redação do documento, o professor da área de Meio Ambiente da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Eduardo Ratton, que preside a assessoria técnica da CEI, teme que os responsáveis pelo acidente saiam do País sem arcar com as consequências do acidente que causaram.
Um dos maiores problemas que persiste, segundo o professor, é a contaminação de manguezais. ''O mangue está morrendo, as árvores estão secando'', diz. Essa situação se estende por cerca de 18 quilômetros de mangue, situados na região das ilhas das Peças e Cotia. A proposta é que sejam feitas experiências de recuperação do mangue em três pequenas áreas, de 25 metros quadrados. ''Se der certo, ampliamos para todo o mangue'', comentou.
Ratton avalia que, sem uma intervenção na limpeza, os manguezais demorarão pelo menos 50 anos para se recuperar. Experiências de retirada de óleo em ambientes semelhantes ao mangue do Brasil tiveram resultados positivos, observou.

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