Laudo revela que pedaço de orelha enviado à família de dupla sertaneja é de Wellington de Camargo
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domingo, 14 de março de 1999
Por João Unes, especial para a AE 
Goiânia, 15 (AE) - O pedaço de pele humana enviado à família da dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano foi retirado da orelha esquerda do compositor Wellington José de Camargo. Laudo emitido hoje pelo Laboratório de Engenharia Molecular Genomic, de São Paulo, comprova que o tecido deixado na porta de uma emissora de TV em Goiânia, sábado, foi extraído do refém cerca de três horas antes de ser encontrado. Amanhã à tarde, os integrantes da dupla sertaneja darão uma entrevista coletiva em São Paulo.
A mutilação, segundo a polícia, revela que os sequestradores decidiram radicalizar para chegar a uma rápida solução. "Foi um ato de terrorismo totalmente desnecessário", classificou o secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes Xavier Torres. Segundo Torres, a atitude dos sequestradores mostra que eles estão dispostos a um desfecho rápido, mas a mutilação piora a situação dos criminosos perante à Justiça. "Isso agrava a pena deles", explicou. "Além de sequestro mediante extorsão, eles terão de responder também por lesão corporal gravíssima".
Wellington José de Camargo está sequestrado há 88 dias. A confirmação de que o pedaço de orelha extirpado é mesmo do compositor foi possível com base no resultado de investigação de vínculo genético, que atesta que o pedaço de orelha pertence a um filho de Helena Siqueira Camargo, mãe do refém. Segundo o laudo, assinado pelo médico Martin Whittle, "os alelos encontrados no material humano recebido também estavam presentes na mãe". O laboratório informou que há 99,99% de chance de que o material seja de um filho biológico de Helena Camargo.
O secretário de Segurança Pública reuniu a imprensa em seu gabinete para divulgar o laudo e aproveitou para criticar o "show" armado em torno do sequestro. "Virou espetáculo para alguns", afirmou. Ele lamentou que o apresentador Ratinho tenha lançado uma campanha em seu programa no SBT para reunir dinheiro para pagar o resgate do compositor - fixado em US$ 3 milhões. Segundo o secretário, atitudes como a do apresentador atrapalham a condução das negociações com os sequestradores. "Prova disso é que eles mencionaram a campanha no bilhete deixado junto com a orelha", observa.
Segundo ele, as negociações para um desfecho rápido estavam adiantadas até sexta-feira, mas teriam sido prejudicadas pelo lançamento da campanha. Perguntado sobre que medidas pretende tomar, o secretário foi incisivo. "Isso será decidido nos tribunais", afirmou.


