Laudo não aponta lesão em líder de assentamento do PR
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 16 (AE) - O delegado de Capanema, no sudoeste do Paraná, Luiz Ademir Fáveri, afirmou hoje que o líder do Assentamento Luiz Carlos Prestes, de Querência do Norte, Celso Antonio Backes, não sofreu nenhuma lesão. A integridade física do agricultor foi atestada em exame . Backes disse em depoimento na delegacia que havia sido agredido e ameaçado por lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que invadiram o assentamento e o retiraram de lá, segunda-feira. Ele teria sido deixado perto de Toledo, a cerca de 300 quilômetros de Querência.
O delegado havia sido incumbido de ouvi-lo, pois Backes estava na casa de seu pai, em Planalto, na região de Capanema. Ele também pediu exame de lesões corporais, que demonstrou total integridade física do agricultor. Ele havia reclamado de dores nas primeiras vértebras, pois dizia ter sido agarrado pelo pescoço ao ser colocado em um Gol, que o levou para o oeste do Estado. Em nota, o MST admitiu a retirada do líder do assentamento, mas negou qualquer violência.
O delegado especial que preside o inquérito sobre invasão de domicílio, furto e sequestro, Jairo dos Santos, não foi encontrado hoje em Santa Isabel do Ivaí. As informações eram de que ele tinha ido a Querência do Norte para levantar mais dados, que pudessem embasar o pedido de prisão preventiva que fez contra alguns dos líderes do MST na região, reconhecidos quando do sequestro de Backes.
De acordo com o MST, Backes foi retirado do assentamento porque teria cometido algumas irregularidades, sendo a principal a ocupação, junto com outras três famílias, de uma área de reserva legal. Os assentados ouvidos pela polícia afirmam que as divergências entre o movimento e um grupo de 26 famílias liderado por Backes está na cobrança de um porcentual de 3% pelo MST sobre a verba liberada pelo governo para cada família assentada fazaer o plantio. Essas famílias não estariam pagando o valor e o MST exigia 30 hectares do assentamento, exatamente a área que alega ser reserva legal.


