Mensagem em bandeira pede justiça para Mateus Evangelista, morto durante ação da Guarda Civil Municipal em Londrina
Mensagem em bandeira pede justiça para Mateus Evangelista, morto durante ação da Guarda Civil Municipal em Londrina | Foto: Ricardo Chicarelli/Folha de Londrina



O disparo que matou o jovem Mateus Evangelista, de 18 anos, não teria saído da arma apresentada pela Guarda Civil Municipal, afirma o advogado do oficial suspeito, André Geraldino. A informação é baseada em laudo do Instituto de Criminalística, obtido pelo advogado.

Segundo o laudo, ao fazer o confronto balístico, o projétil e a cápsula deflagradas no local do homicídios não saíram da pistola Glock 380 do agente municipal. Para o advogado, que teve acesso ao laudo nesta segunda-feira (26), seu cliente permanece preso "indevidamente". "Possivelmente, existe uma terceira arma na cena do crime e cabe à Polícia Civil investigar", diz.

Após o laudo, Geraldino disse que vai entrar com pedido de habeas corpus no TJ (Tribunal de Justiça) do Paraná em favor de seu cliente.

Para ele, a concessão da prisão preventiva foi precipitada. "Não havia prova alguma de autoria do crime, apenas suspeitas. E no local onde Mateus veio a falecer tinha mais de 40 pessoas, um barulho estrondoso, não dava para apurar a autoria e o local também não passou por perícia", afirma.

Evangelista morreu no dia 11 de março, quando uma guarnição com dois guardas municipais foram atender a uma reclamação de perturbação do sossego provocada por uma festa, no Jardim Porto Seguro, zona norte de Londrina. Na ocasião, a vítima foi levada para o Hospital Universitário pelos próprios guardas, que diziam que o rapaz já estava ferido e que não aguardaram o socorro devido à gravidade do ferimento. Entretanto, testemunhas dizem que o disparo ocorreu durante a abordagem e as investigações levantam suspeitas sobre os oficiais, que foram afastados, e um deles acabou preso preventivamente.

Reconstituição

Mário Barbosa, advogado da família de Evangelista, confirma o teor do laudo do IC e diz que já aguardava o resultado conflitante. "Já imaginávamos o resultado. Como a cena do crime foi adulterada, o laudo poderia dar resultado sem procedência. É um absurdo mexer na cena do crime, isso não podia ter ocorrido", afirma.

Ele diz, ainda, que aguarda uma reconstituição da situação, realizada pela Polícia Civil, nos próximos 30 dias.

A FOLHA tentou contato com o titular da Delegacia de Homicídios, Ricardo Jorge, mas uma funcionária informou que ele não está dando entrevistas sobre o caso.

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