Laudo indica que disparo que matou jovem não saiu da arma de guarda municipal
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terça-feira, 27 de março de 2018
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 

O disparo que matou o jovem Mateus Evangelista, de 18 anos, não teria saído da arma apresentada pela Guarda Civil Municipal, afirma o advogado do oficial suspeito, André Geraldino. A informação é baseada em laudo do Instituto de Criminalística, obtido pelo advogado.
Segundo o laudo, ao fazer o confronto balístico, o projétil e a cápsula deflagradas no local do homicídios não saíram da pistola Glock 380 do agente municipal. Para o advogado, que teve acesso ao laudo nesta segunda-feira (26), seu cliente permanece preso "indevidamente". "Possivelmente, existe uma terceira arma na cena do crime e cabe à Polícia Civil investigar", diz.
Após o laudo, Geraldino disse que vai entrar com pedido de habeas corpus no TJ (Tribunal de Justiça) do Paraná em favor de seu cliente.
Para ele, a concessão da prisão preventiva foi precipitada. "Não havia prova alguma de autoria do crime, apenas suspeitas. E no local onde Mateus veio a falecer tinha mais de 40 pessoas, um barulho estrondoso, não dava para apurar a autoria e o local também não passou por perícia", afirma.
Evangelista morreu no dia 11 de março, quando uma guarnição com dois guardas municipais foram atender a uma reclamação de perturbação do sossego provocada por uma festa, no Jardim Porto Seguro, zona norte de Londrina. Na ocasião, a vítima foi levada para o Hospital Universitário pelos próprios guardas, que diziam que o rapaz já estava ferido e que não aguardaram o socorro devido à gravidade do ferimento. Entretanto, testemunhas dizem que o disparo ocorreu durante a abordagem e as investigações levantam suspeitas sobre os oficiais, que foram afastados, e um deles acabou preso preventivamente.
Reconstituição
Mário Barbosa, advogado da família de Evangelista, confirma o teor do laudo do IC e diz que já aguardava o resultado conflitante. "Já imaginávamos o resultado. Como a cena do crime foi adulterada, o laudo poderia dar resultado sem procedência. É um absurdo mexer na cena do crime, isso não podia ter ocorrido", afirma.
Ele diz, ainda, que aguarda uma reconstituição da situação, realizada pela Polícia Civil, nos próximos 30 dias.
A FOLHA tentou contato com o titular da Delegacia de Homicídios, Ricardo Jorge, mas uma funcionária informou que ele não está dando entrevistas sobre o caso.


