O laudo cadavérico continua sendo a maior prova de que 19 sem-terra foram ‘‘massacrados de maneira covarde e sem qualquer chance de defesa’’ por 150 policiais militares no conflito de Eldorado dos Carajás, em abril de 96, disse ontem o promotor Marco Aurélio Nascimento. Ele considera prova ‘‘muito importante’’ o novo laudo divulgado por técnicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sobre análise da única fita de vídeo com imagens gravadas, na qual aparece um policial militar disparando o primeiro tiro contra os sem-terra. Para Nascimento, a perícia será um ‘‘bom reforço’’ para a condenação dos acusados.
O perito da Unicamp Ricardo Molina de Figueiredo, anunciou o promotor, deverá explicar pessoalmente aos jurados, durante julgamento a ser marcado, como chegou a essa conclusão. O primeiro foi anulado no início do ano pelo Tribunal de Justiça do Pará, que alegou irregularidades na formulação dos quesitos apresentados aos jurados.
O advogado Américo Leal, defensor dos oficiais acusados pela morte dos 19 sem-terra, disse que a perícia feita pela Unicamp não muda o cenário já desenhado do julgamento. ‘‘Foram os sem-terra que provocaram os policiais, que apenas agiram em legítima defesa.’’

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