O IML (Instituto Médico-legal) concluiu o laudo de sanidade mental do ex-guarda municipal Ricardo Leandro Felippe, acusado de matar três pessoas e provocar ferimentos em outras três há um ano, no entanto, o documento ainda não foi juntado ao processo. A reportagem entrou em contato com o Departamento de Psiquiatria Forense do IML, mas os servidores afirmaram que não poderiam divulgar o resultado desse documento por sigilo processual.
O assistente da promotoria Marcelo Camargo explicou que a partir do momento em que esse laudo for juntado ao processo o juiz intimará o Ministério Público e a defesa de Felippe para se manifestarem sobre o laudo. "A partir daí o processo vai para a fase das alegações finais. Em seguida o juiz promulga a sentença", apontou.
O resultado do laudo pode definir o futuro da sentença de Felippe. A acusação argumenta que Felippe tinha noção plena do que estava fazendo e premeditou o crime. Se o laudo apontar que o ex-guarda municipal sofre de algum distúrbio psicológico a defesa pode argumentar que isso pode ter sido determinante para aquele comportamento.
Este é o segundo laudo emitido sobre a sanidade mental de Felippe. O primeiro foi realizado em junho de 2017, pela médica Tânia Maria Zanier, do Complexo Médico-Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Ela emitiu uma declaração na época na qual atesta que Felippe "não apresenta sinais de doença mental" e que "apresenta traços dissociais e que no momento é plenamente capaz de entender seus atos e responsabilizar-se por eles". Na época a defesa alegou que o termo "traços dissociais podem ser interpretados como transtorno de personalidade". A reportagem não conseguiu contato com o advogado de Felippe, Luca de Campos Carrer. O processo criminal está parado em função desse pedido da defesa para a realização do segundo laudo.

O CASO
No dia três de abril do ano passado, Ricardo Leandro Felippe matou Ana Regina do Nascimento, sócia e amiga da então companheira. Na sequência ele se dirigiu até a casa da ex-companheira Rachel Espinosa e atirou contra várias pessoas. O filho de 17 anos morreu no local e o pai foi conduzido ao hospital ainda com vida, mas não suportou os ferimentos e também morreu. Rachel tinha medida protetiva contra Felippe e houve um pedido para suspender o porte de arma, que apenas ficava no trabalho, mas naquele dia ele pegou a arma no local de trabalho e a utilizou nos assassinatos.

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