Laudo de psiquiatra define sargento como paranóico e psicótico
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terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 15 (AE) - Paranóico e psicótico. Foi dessa forma que o médico psiquiatra da Polícia Militar Jomar Rolland Bastos Filho definiu o sargento Sidney Rodrigues, principal suspeito do assassinato do coronel da Polícia Militar Carlos Magno Nazareth Cerqueira, em diagnóstico feito em 1994. Bastos Filho explicou, em laudo entregue ao secretário de Segurança Pública do RJ, Josias Quintal, que o problema se caracteriza por "eleger grupo ou pessoa como alvo de ação delirante". Rodrigues já esteve internado em hospitais psiquiátricos.
Rodrigues trabalha no 12º Batalhão da Polícia Militar, em Niterói. Curiosamente, o comandante do 12º BPM, Carlos Alberto Guedes, desconhecia o fato de seu subordinado ter problemas psiquiátricos. "Nunca soube de qualquer problema psiquiátrico dele", disse hoje. De acordo com o comandante, Rodrigues andava armado e estava apto a fazer serviços externos se fosse necessário. "O batalhão não escala para o serviço policiais que não estejam aptos."
No laudo entregue ao secretário de Segurança, no entanto
as atitudes de Rodrigues são descritas como "reações delirantes de cunho persecutório". Em depoimento do próprio sargento, que também está com Quintal, Rodrigues se queixa de "pessoas idosas" que foram colocadas em seu caminho para agredi-lo "por códigos".
"Conversei com a irmã dele, Shirley, que confirmou que ele sofria de mania de perseguição", disse o secretário de Segurança. Segundo Quintal, Rodrigues só não havia sido afastado da PM, porque para isso era preciso um laudo médico "mais conclusivo".
Internação - Em 1994, Rodrigues ficou internado três dias na Casa de Saúde Doutor Eiras, especializada em tratamento psiquiátrico e de dependência química. No ano seguinte, foi afastado dos serviços externos por 120 dias. Sua ficha policial aponta duas punições recentes, uma em maio e outra em junho deste ano, ocasiões em que ficou preso por quinze dias por ter faltado ao serviço na cabine da PM no bairro de São Francisco, em Niterói, onde trabalhava. Desde então havia sido afastado da rua e exercia funções internas no 12º Batalhão da PM.
Companheiros de trabalho descrevem Rodrigues como um homem nervoso, irritadiço. "Uma vez ele chegou a ameaçar um colega de morte", contou um policial.
Rodrigues casou três vezes e tem três filhos. Sua mulher atual, Silvana, está grávida de seis meses. A primeira mulher, Sueli de Souza Martins, de 33 anos, esteve no Hospital Souza Aguiar, onde o sargento está internado, hoje pela manhã. Sueli descreveu Rodrigues como um homem calmo, que nunca bateu nos filhos. A segunda mulher do sargento, identificada como Valdete, esteve na Secretaria de Segurança para conversar com Quintal. "Ele é excelente pessoa, sempre esteve ao meu lado", disse, bastante abalada.


