Rio - Embora os bandidos que executaram o diretor do presídio de Bangu 3, Abel Silvério Aguiar, estivessem encapuzados, uma testemunha pode tê-los visto com o rosto descoberto. O secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, Astério Pereira dos Santos, disse ontem que, antes do crime, um homem teve a moto roubada e foi trancado no porta-malas de um carro que pode ter sido usado na emboscada contra Aguiar.
De acordo com laudo preliminar do Instituto Médico-Legal divulgado ontem, o diretor foi morto com 17 tiros, o que comprova a hipótese de execução. As balas atingiram o peito, a nuca e a cabeça de Aguiar, morto 13 dias depois do assassinato do coordenador de segurança do Complexo de Bangu, Paulo Roberto Rocha. Ambos tiveram o carro que dirigiam interceptados na Avenida Brasil.
Por determinação das secretarias de Segurança Pública e de Administração Penitenciária, os diretores e coordenadores do complexo de Bangu e coordenadores dos complexos de Frei Caneca, Niterói e interior serão obrigados a usar colete à prova de bala e terão, pelo menos, dois PMs como escolta pessoal. Os agentes penitenciários que se sentirem ameaçados podem solicitar também o colete e a escolta.
As hipóteses levantadas até agora como causa da execução indicam que Aguiar pode ter sido assassinado por estar implantando medidas disciplinares rigorosas no presídio ou por não ter aceito facilitar a fuga de dois presos. Segundo o Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe), uma ameaça recebida pelo diretor de Bangu 3 dizia que, diante da recusa de facilitação, a família dele seria sequestrada.
A execução também pode ter sido por causada pela mudança no sistema de concessões para exploração de cantinas e cozinhas dos presídios do complexo, que agora passou a ser restrita aos agentes penitenciários aposentados.
Também não foi descartada uma ligação com a morte do traficante Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP, assassinado em Bangu 3. Na próxima semana, o corregedor do Desipe, Silas Magalhães, vai ouvir sete agentes penitenciários que estavam de plantão no dia em que Aguiar foi assassinado.

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