Laudo divulgado ontem pelo Instituto de Medicina Legal confirmou que foi um tubarão que matou o jovem cujo corpo foi encontrado anteontem na praia da Boa Viagem, em Recife (PE). Os peritos descartaram a hipótese de que a vítima já estivesse morta (por afogamento ou outro motivo) quando sofreu o ataque. ‘‘Ele estava vivo e foi atacado de frente’’, disse o diretor do IML, Jorge Mota. O rapaz sofreu mais de uma mordida e teve o braço esquerdo e parte do tórax e abdômen arrancados.
O corpo apresenta ‘‘lesões serrilhadas’’, características das mordidas de tubarões. ‘‘Ele ficou oco por dentro, sem coração, sem pulmões, intestinos, nada’’, disse Mota. Para o oceanógrafo Fábio Hazin, especialista em tubarões, as marcas das mordidas indicam que o rapaz foi atacado por um tubarão ‘‘de cerca de três metros’’ e das espécies Tigre ou Cabeça-Chata - as mais agressivas. A hipótese mais provável para o que aconteceu, conforme o diretor do IML, é que a vítima tenha sido atacada primeiro no braço e em seguida puxada para baixo.
Até as 18 horas de ontem o jovem não havia sido identificado. Ele tem entre 15 e 20 anos, segundo os peritos. Sua morte aconteceu possivelmente segunda-feira, de acordo com Mota.
Também não se sabe se ele morreu em outro ponto do litoral e seu corpo foi levado pelo mar até Boa Viagem, ou se o ataque aconteceu na própria praia - a principal de Recife e uma das mais frequentadas no Estado. Esta foi a primeira morte causada por um tubarão em Pernambuco este ano, e o segundo ataque. O primeiro aconteceu em 1º de julho, contra o surfista Jurandir da Silva Amorim, que teve a perna direita ferida. Desde 1992, sete pessoas morreram vítimas de ataques de tubarões no Estado. Houve um total de 25 ataques.
A área de risco de ataques compreende cerca de 30 quilômetros, atingindo oito praias do litoral sul do Estado - indo de Suape, ao sul, até a praia da Boa Viagem. O mapeamento foi feito por um estudo realizado sob a coordenação de Fábio Hazin (professor da Universidade Federal de Pernambuco). Em janeiro de 1996, o governo de Pernambuco proibiu a prática de esportes aquáticos (como surf) nessa área. Placas foram instaladas nas praias, alertando para o risco dos ataques de tubarão.

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