Brasília - Os corpos de dez pacientes que usaram o contraste radiológico Celobar apresentavam altas doses de bário, informa laudo do Instituto Médico Legal de Goiás, divulgado ontem. Um dos corpos não apresentava intoxicação. O superintendente da Polícia Técnico-Científica do Estado de Goiás, Décio Marinho, afirma que o resultado dos exames comprova a conexão entre as mortes e o remédio.
Apenas em Goiás há a suspeita de que o Celobar tenha provocado 21 mortes e efeitos colaterais graves em 250 pacientes. Marinho informou que foram encontradas concentrações altíssimas de bário nas vísceras analisadas. Em alguns casos, a concentração chegou a 200 miligramas por quilo, quantidade 100 vezes superior ao suportado pelo corpo humano: 2 miligramas por quilo.
Para o superintendente, a presença do bário demonstra a irregularidade no preparo do contraste radiológico. A empresa fabricante é acusada de ter usado carbonato de bário em vez de sulfato de bário. Em meio ácido como o estômago o carbonato transforma-se em cloreto de bário, um produto muito tóxico. A ação tóxica do produto é constatada principalmente nos músculos, com paralisia. ''Ao chegar no coração, o produto pode provocar fibrilação ventricular e, em último estágio, a morte.'' É a descrição de vários pacientes que usaram o contraste.
O delegado titular do 4º Distrito Policial de Goiânia, Carlos Fernandes, afirma que os laudos são uma peça muito importante no inquérito. ''Temos a irregularidade na produção, o quadro clínico, a comprovação do uso do produto e, por fim, o laudo que constata a presença de bário nas vísceras dos pacientes mortos.''
Além dos proprietários do laboratório fabricante do Celobar, o Enila, devem ser indiciados integrantes do corpo técnico da empresa. O crime de que podem ser acusados é de adulteração de produto destinado a fins terapêuticos, considerado um crime hediondo. O laboratório Enila foi fechado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
O advogado Paulo Henrique Lins disse que o laboratório Enila confrontará os laudos do IML de Goiânia com análises de peritos a serem contratados pelo laboratório. ''Temos a notícia de outro contraste radiológico que também teria provocado a morte de pessoas naquela cidade'', disse o advogado.
Lins disse estranhar que, dos 2.250 frascos de Celobar consumidos, ''apenas dez deles tenham provocado reações adversas nos pacientes''. Dos 4.500 frascos que compunham o lote contaminado e interditado pela Vigilância Sanitária, 2.250 foram recolhidos. O resto foi consumido.

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