Arquivo FolhaTiro intencionalO laudo do Instituto de Criminalística confirma que o policial Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, mentiu quando negou ter atirado em direção ao carro onde estava o escriturário Mário José Josino, no dia 7 de março na Favela Naval, em Diadema SÃO PAULO - O Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Civil, apresentou ontem de manhã na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Assembléia Legislativa de São Paulo, que apura a atuação do crime organizado no Estado, o laudo de constatação do tiro que matou o escriturário Mário José Josino na madrugada de 7 de março na Favela Naval, em Diadema, grande São Paulo.
O trabalho foi realizado com a fita de vídeo das gravações do cinegrafista Francisco Romeu, o Picapau. Os peritos montaram um ensaio por computador da posição do soldado Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, atirando no Gol onde estava a vítima. As imagens foram ditadas com os recursos do computador e a conclusão foi a de que Rambo teve a intenção de acertar o carro.
Três peritos descreveram aos deputados, oficiais da Polícia Militar, juízes e promotores como trabalharam na preparação do documento. Josino estava sentado no banco de trás do Gol, olhando para os militares do bloqueio, quando foi baleado na clavícula. O amigo Jefferson Chaves Caputi dirigia o carro e Antônio Carlos Dias estava ao lado do motorista.
Segundo o perito Valter Alexandre Machado, Gambra deu dois tiros no Gol. ‘‘Ele saiu de trás de um poste e em posição de tiro acionou o gatilho tendo o projétil passado pelo vidro e se alojado na clavícula esquerda da vítima’’, afirmou. ‘‘O segundo tiro passou por cima do capô.’ Machado repetiu diversas vezes que o primeiro tiro matou o escriturário e adiantou que não foi possível um exame com a arma apresentada por Rambo porque o projétil bateu em ossos durante a trajetória e ficou em pedaços.
Josino não foi morto por uma arma de calibre 38 usada pelos policiais militares. O tiro partiu de automática 9mm. Na fita o policial Rambo é visto o tempo todo portando uma pistola daquele calibre. ‘‘O laudo que estamos entregando foi preparado com base em imagens reais, autênticas, e a nossa preocupação analisando a fita era verificar também a participação dos outros militares do bloqueio e não apenas de quem atirou’’, explicou a perita Glais Oliveira.
Ela informou que examinaram na Rua Naval o lugar de onde Rambo atirou e também o muro onde o músico Silvio Calixto foi espancado e quase morto por um tiro disparado pelo soldado Nelson Soares Júnior. ‘‘No caso do Silvio apesar de termos feito o levantamento quase um mês depois, encontramos chumbo na parede e marcas de projéteis em portões’’.
Numa das cenas gravadas, um dos militares aparece examinando o pneu de um Volkswagen e em seguida faz um gesto como se estivesse furando o pneu. Ao prestar declarações à Justiça, o PM Paulo Rogério Garcia Barreto contou que havia manchas vermelhas, usou uma caneta para saber se era sangue e o dono do carro afirmou que atropelara um cachorro.
O perito Machado não teve condições de dizer o que o PM tinha em mãos. ‘‘Parecia mesmo um canivete mas a perícia não pode ficar no achometro e por isso esta pergunta fica sem resposta’’. Como também ficou sem resposta a acusação de extorsão por parte dos militares. Na cena onde um dos PMs examina documentos e dinheiro de um dos detidos, tudo é devolvido.
O promotor José Carlos Guillem Blat adiantou que o laudo vai enriquecer as provas já existentes no processo.

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