O guarda municipal Ricardo Leandro Felippe, acusado de matar três pessoas e deixar outras três feridas no mês de abril, em Londrina, não apresenta sinais de doença mental. Esta é a conclusão do exame realizado por uma médica do CMP (Complexo Médico-Penal) em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde o agente está detido há cerca de um mês. O resultado foi confirmado pela promotora Susana de Lacerda na tarde desta terça-feira (13).

Registrado em 2 de junho, o laudo conclui: "O examinado Ricardo Leandro Felippe no momento não apresenta sinais de doença mental. Trata-se de indivíduo com traços dissociais que no momento é plenamente capaz de entender seus atos e responsabilizar-se por eles".

Para o advogado de Ricardo Felippe, Luca Carrer, a declaração é preliminar e pode ser interpretada em sentido contrário, ou seja, de que o guarda municipal tem problemas psicológicos. "Ao mesmo tempo que a declaração cita que ele não apresenta sinais de doença mental, cita também que há a existência de traços dissociais, que para a defesa podem ser entendidos como transtorno de personalidade. Isso dá margens para outras interpretações."

O advogado acrescentou que solicitou à 1ª Vara Criminal a instauração de um incidente de insanidade mental "para que seja realizado um estudo mais aprofundado sobre a capacidade do Ricardo no dia dos crimes". A promotora Susana de Lacerda, no entanto, afirmou que a juíza já indeferiu o pedido. "Para o Ministério Público, o laudo é o suficiente."

O CRIME
Os homicídios aconteceram em 3 de abril. Primeiramente, Felippe foi ao local de trabalho de sua última companheira, na Rua Santiago, no Jardim Guanabara (zona sul). Ela não estava e o guarda acabou matando a Ana Regina do Nascimento Ferreira, 34 anos, sócia de uma ex-namorada,com três disparos de pistola. De lá, fugiu com o carro dela e, no caminho para a casa de outra ex-namorada, teria furtado outro veículo. Esta mulher também não estava na residência, local onde o guarda efetuou disparos contra quatro pessoas. O filho dela, de 17 anos, morreu no local; e o pai, Valdir Siena, de 58 anos, morreu uma semana depois, no hospital. O guarda foi preso um dia após os crimes, em Maracaí, no interior de São Paulo.

Ricardo Felippe foi denunciado pelo MP no final de abril por 12 fatos criminosos. Na ocasião, o delegado de Homicídios de Londrina, Manoel Pelisson, concluiu que o motivo para os crimes foi saber que as duas ex-namoradas haviam formalizado denúncias de agressão contra ele.

mockup