Laudo aponta que ex-GM sabia que praticava ato criminoso
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quinta-feira, 12 de abril de 2018
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O laudo psiquiátrico do ex-guarda municipal Ricardo Leandro Felippe, acusado de dois homicídios e um feminicídio cometidos em abril do ano passado, foi juntado aos autos do processo no final da tarde de quarta-feira (11). O exame realizado pelo psiquiatra e perito oficial, Carlos Alberto Peixoto Batista, no Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina no dia 26 de fevereiro, aponta que, apesar de Felippe sofrer de transtorno afetivo bipolar episódio atual misto, também conhecido como doença maníaco-depressiva, ele tinha consciência do crimes praticados.
A doença relatada trata-se de um transtorno mental que causa mudanças incomuns de humor, energia, níveis de atividade e habilidade de realizar as tarefas do dia a dia. Além disso, o laudo apontou que isso tudo está em comorbidade com distresse, que é a reação de estresse vivida numa situação de pós-trauma que não se desfaz. O perito ressaltou no exame que ele era "inteiramente capaz de entender os atos criminosos praticados", mesmo tendo doença mental e "sabia do caráter criminoso no ato que praticava".
No mesmo dia em que o laudo foi juntado ao processo, os autos foram remetidos para 30ª Promotoria de Justiça de Londrina e foram expedidas a intimação para a defesa do ex-GM e para os assistentes de acusação. O Promotor de Justiça Ronaldo Costa Braga destacou que o laudo possui 16 laudas. "É bastante extenso. Estou estudando o documento inteiro para pegar todos os detalhes da fundamentação médica. Posso antecipar que o laudo conclui que o Ricardo é portador de transtorno afetivo bipolar, mas que esse transtorno não o incapacitava de entender o caráter ilícito do fato, de entender que o que ele estava praticando estava errado", apontou Braga.
O promotor afirmou que o laudo é bem extenso, bem completo e o perito teve acesso a todas as provas importantes do processo, analisando todas as perspectivas e fundamentando sua conclusão. "Quem pediu a realização do segundo exame foi a defesa. Nós sempre acreditávamos que ele tinha capacidade de entender que estava cometendo um crime", apontou o promotor.
O assistente da promotoria Marcelo Camargo explicou que o laudo retratou exatamente aquilo que a acusação vinha falando durante a instrução inteira. "Ele é plenamente capaz de entender que estava praticando um crime e agora isso se tornou indiscutível. Já é o segundo laudo que confirma o mesmo resultado", apontou.
As partes terão um prazo de cinco dias para se manifestar em relação ao laudo. Depois disso o processo deve ir para o Ministério Público, depois para o assistente de acusação e depois para a defesa para todos apresentarem as alegações finais. A partir disso cada parte aponta segundo suas próprias convicções o que ficou provado e faz os requerimentos que entenderem necessário. "No nosso caso, e eu acredito que o Ministério Público deva fazer isso também, eu vou pedir a sentença de pronúncia para que seja remetido para o julgamento perante o tribunal do júri", afirmou Camargo.
Ele reforçou que a conclusão do laudo era o que ele esperava. "O laudo constatou que ele tem bipolaridade. Por óbvio algum problema ele tinha, mas nenhum problema que afaste a ciência dos fatos pelos quais ele seja responsabilizado juridicamente", argumentou.
Os advogados de defesa de Ricardo Leandro Felippe, Fabricio Almeida Carraro e Natália Regina Karolensky, publicaram uma nota no site de seu escritório de advocacia afirmando que "a respeito das informações veiculadas acerca do laudo psiquiátrico confeccionado em relação ao acusado Ricardo Leandro Felippe, a defesa informa que vai se manifestar nos autos, se e conforme o caso, após a intimação oficial".


