Laudo antropológico arquiva processo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Ministério Público (MP) federal pediu o arquivamento de um processo criminal que acusava moradores de uma aldeia indígena no distrito de São João do Pinhal, município de São Jerônimo da Serra (78 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio), de homicídio. O arquivamento foi pedido de forma inédita no Brasil, com base no resultado de um laudo antropológico criminal que mostrou que a vítima, Adenilson da Silva Cruz, conhecido como ''Nego Saruê'', era o verdadeiro agressor da comunidade indígena.
Nego Saruê teria realizado diversas invasões de terra, incendiado casas e promovido ameaças de morte contra membros da comunidade. O laudo foi realizado por técnicos em antropologia, que foram chamados para fazer um levantamento junto a comunidade indígena. ''Os conflitos entre dois brancos podem ser resolvidos facilmente por nós, que temos uma mesma cultura. No entanto, não podíamos analisar questões que envolvem uma comunidade diferente, com costumes diferentes, sem saber como pensam e agem os índios da região e o tipo de cultura que eles têm'', disse o procurador da República João Akira Omoto.
O trabalho técnico foi feito durante dez dias de pesquisa. Os habitantes da comunidade foram entrevistados e os costumes da aldeia foi relatada no laudo técnico. ''Com a interpretação dos fatos à luz da arqueologia, pudemos perceber que o crime ocorreu em legítima defesa. Por isso é que pedimos o arquivamento do processo'', alegou o procurador. O pedido já foi deferido pela Justiça Federal.
Com a decisão, os acusados pela morte Reginaldo Salles Batarse (cacique da reserva indígena Barão de Antonina) e João Pereira da Silva (morador da aldeia e atual liderança indígena) deixam de ser processados pelo crime de homicídio, ocorrido no dia 16 de novembro de 1997. Segundo o relato do MP federal, os dois foram agredidos pelo Nego Saruê depois de trocarem um pneu do carro onde estavam. Na briga, o cacique Reginaldo teria atirado em Nego Saruê.
Este é o segundo caso em que o MP federal no Paraná pede um laudo antropológico criminal para a resolução de crimes. O primeiro caso ainda está em andamento.


