Laudo acusa PM na morte de cabo
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quinta-feira, 10 de julho de 1997
Agência Estado Campinas 
Laudo divulgado ontem pelo perito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fortunato Badan Palhares, confirma a suspeita de que o cabo Valério dos Santos Oliveira teria sido morto por um tiro disparado pelo soldado Wedson Gomes Campos, durante manifestação dos policiais militares de Minas Gerais, em Belo Horizonte, no dia 24 de junho. Apesar dos indícios, o coronel Henrique Helói do Nascimento, que preside o inquérito militar, preferiu não confirmar o nome do suposto assassino.
Como presidente do inquérito, estou impedido de me pronunciar antes do término da apuração, explicou o coronel da PM. Ele afirmou, porém, que o laudo divulgado ontem é de grande credibilidade e representa um elemento valioso para a investigação. Agora temos provas incontestáveis para que o Ministério Público faça a denúncia e a Justiça realize o julgamento justo, disse.
O laudo divulgado ontem não identifica o homem que atirou, mas faz uma descrição minuciosa do atirador. O tiro que acertou o cabo partiu de uma arma empunhada por um homem de estatura mediana, compleição física dentro dos padrões dos policiais, cabelos curtos e escuros, vestindo calça azul clara e camiseta clara com listras azul-escuras. A descrição corresponde às características do soldado Wedson Gomes de Campos, que nas cenas gravadas aparece fugindo depois de atirar.
Os peritos analisaram o som de três disparos dados durante a confusão. O segundo tiro foi o que acertou o cabo Oliveira. A arma usada pelo atirador encontrava-se à frente da vítima, um pouco à esquerda e em plano inferior ao cabo no momento do disparo. A bala penetrou o lado esquerdo do crânio, na região temporal, e saiu pelo lado direito, na parte de cima da cabeça.
O laudo inocenta o coronel Edgar Eleutério, comandante do policiamento militar em Belo Horizonte. Ele chegou a ser apontado como um dos suspeitos pela morte do cabo. Essa hipótese ficou descartada porque o coronel aparece atrás do cabo, explica Palhares. Os outros disparos ouvidos na fita deverão ser investigados pela PM.


