Latinos apresentam suas reclamações na Índia
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terça-feira, 20 de janeiro de 2004
France Presse 
Mumbai - Os mais de mil ativistas latino-americanos que participam do Fórum Social de Mumbai correm de um seminário como ''Comércio Equitativo'' para outro como ''Soberania alimentar'' enquanto debatem a ''estratégia pós-Cancún''. Procedentes de quase todos os países da região, os latino-americanos têm uma agenda centrada, em particular, nas consequências da ''globalização neoliberal'' na saúde, educação, emprego e nível de vida.
Considerando que o revés que sofreram as negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC), em setembro passado, no balneário mexicano de Cancún, se deveu à pressão exercida por 10 mil manifestantes, os ativistas discutem desde sexta-feira passada a realização de novas ações. ''Nosso desafio é preparar campanhas contra a OMC e contra o neoliberalismo que está se propagando no mundo. Devemos fazer em outras partes o que fizemos em Cancún'', declarou o sindicalista brasileiro Rafael Freire Neto, em uma mesa redonda dedicada ao ''comércio equitativo''.
Com documentos e folhetos debaixo do braço, os ativistas do Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, México, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela, América Central e Caribe têm discutido com delegados de outros países do planeta como enfrentar essas políticas e construir um mundo diferente. Em Mumbai, as causas são quase tão numerosas quanto os ativistas.
A mexicana Pilar Sánchez Rivera, da organização Católicas pelo Direito de Decidir, trouxe para a Índia, entre outras questões, o caso das quase 400 mulheres assassinadas e mais de 4.000 desaparecidas em Ciudad Juárez (nordeste do México) na última década. Compatriotas de Sánchez expuseram a destruição do mundo camponês no país, por causa do Tratado de Livre Comércio (TLC), assinado em 1994 entre Estados Unidos, Canadá e México, que provocou um aumento da pobreza.
''No México, agora existem mais de 15 milhões de pessoas que vivem na extrema pobreza'', afirma, destacando que o país ''tornou ainda mais dependente'' do poderoso vizinho. ''O México importa 58% do arroz e 49% da carne que consome'', explica.
Um membro da organização Jubilee Sul, que pede o perdão da dívida externa dos países em desenvolvimento, explica como o pagamento dos juros da dívida consome os recursos que deveriam ser utilizados para melhorar a saúde, a educação e o bem-estar dos povos do continente. Outros denunciam o orçamento destinado pelos governos latino-americanos aos gastos militares. ''No Equador, mais de 12 mil crianças morrem a cada ano por doenças que podem ser curadas. Esse número é maior do os mortos em algumas guerras'', afirma Edgar Isch Lopez, que coordena em seu país a Frente Nacional para a Saúde dos Povos.


