Latas de alumínio ficam mais baratas com queda do dólar
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quinta-feira, 01 de abril de 1999
Por Cley Scholz 
São Paulo, 02 (AE) - A Latasa, maior fabricante de latas de alumínio do País, vai reduzir em mais de 5% o preço do produto a partir deste mês. A empresa, controlada pelos grupos Reynolds, Bradesco e JP Morgan, decidiu repassar para os preços a queda do dólar.
Desde a mudança do câmbio, os fabricantes de alumínio vinham sendo acusados por vários segmentos de indústria de aumentos abusivos. Eles dolarizaram os preços com o argumento de que o metal tem importância comercial internacional, sendo cotado pela bolsa de mercadorias de Londres. Os aumentos chegaram a 25% e o governo ameaçou incluir o metal na lista de matérias primas e produtos que teriam a alíquota de importação reduzida.
O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, ClaudioConsidera, ameaçou reduzir as alíquotas de importação para equilibrar os preços do mercado interno, o que provocou forte reação por parte dos fabricantes.
O presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal)
Adjarma Azevedo, protestou na época lembrando que os fabricantes como a Latasa e Alcan já investiram US$ 5 bilhões desde o início dos anos 90 na expansão da produção.
A lista de 89 produtos que tiveram alíquota reduzida saiu ontem e não incluiu o alumínio. A alíquota do metal foi mantida em 15%, o que provocou protestos por parte dos fabricantes de cerveja. Eles estão entre os maiores consumidores da latinha de alumínio e pleiteavam alíquota zero por alguns meses até a estabilização do câmbio.
O presidente do Sindicato da Indústria da Cerveja, Marcos Mesquita, afirma que o setor está diante de um impasse: ou aceita a pressão das fornecedoras de latas, que insistem em repassar aumentos por conta do câmbio (37,5 % em média) ou deixam utilizar a embalagem metálica. As latas de alumínio já representam 30% do preço do produto na fábrica, e passariam a representar mais de 50% com os reajustes que estão sendo impostos por conta da alta do dólar. O reajuste no preço final da latinha de cerveja poderia chegar a 22%. "O mercado não aguenta", afirma o representante da indústria cervejeira.
Impasse - O Sindiserv acusa a Latasa de ter se posicionado contra a redução da alíquota, quando poderia ser a maior beneficiada pela medida. "Esta incoerência foi decisiva para a frustração do pleito", acusa Mesquita. Ele alega que o mercado de cervejas está virtualmente parado, o que aumentou o impasse dos preços. A queda nas vendas no primeiro bimestre foi de 7,5% em relação a 98, época em que as vendas também foram fracas.
O diretor da Latasa, José Roberto Giosa, defende-se dizendo que a alíquota do alumínio não baixou porque o governo avaliou o mercado e constatou a capacidade da indústria local de abastecer o consumo com preços equivalentes ao do mercado externo.
"O preço será reduzido em mais de 5% em abril para acompanhar a queda do dólar, e para enfrentar a queda sazonal das vendas", afirma Giosa. Para ele, outros fabricantes vão fazer o mesmo. "Também queremos manter a participação de mais de 50% no mercado de latas de alumínio."
Atualmente, o Brasil consome 5,5 bilhões de latinhas de cerveja por ano, o que representa 24% do mercado de cerveja. Segundo fabricantes, as compras de embalagens de lata já estão sendo reduzidas por causa do aumento do preço.
O custo de cada lata para o fabricante de cerveja é de R$ 0,11. A garrafa de vidro de 600 ml custa R$ 0,22, mas tem uma vida útil de seis anos e é reaproveitada três ou quatro vezes por ano. Significa que o custo é de menos de um centavo a cada utilização. Com o impasse nos preços do alumínio, a embalagem de vidro tende a ampliar sua participação, hoje ao redor de 75%. As latas respondem por 23,5% e as garrafas pequenas do tipo long neck participam com apenas 1,5%, por serem mais caras (não reaproveitáveis).


