Auckland, Nova Zelândia, 22 (AE) - A tripulação do barco italiano Luna Rosa vai tentar nesta quarta-feira (22h15 horário brasileiro) diminuir o incômodo placar de 2 a 0 para os neozelandeses, na terceira regata da série melhor-de-nove pelas finais da Americas Cup, em Auckland. O veleiro NZL-60/Black Magic precisa de mais três vitórias para manter a taça na Nova Zelandia. A fanática torcida da vela neozelandesa só fala em 5 a 0, lembrando do resultado de 1995, quando roubaram o troféu dos americanos em plena Califórnia. Embora a situação exija uma recuperação imediata por parte dos italianos, o tático da equipe Prada, o brasileiro Torben Grael, não vê motivos para desespero.
"Temos que fazer uma boa largada e depois nos preocuparmos apenas com a nossa regata. Se largarmos bem daqui pra frente as coisas podem se alterar", disse Torben, referindo-se à manobra mais importante de um "match race (barco contra barco)".
Mesmo depois de duas derrotas, que revelaram um entrosamento superior do adversário, a equipe Prada continua aparentando a mesma confiança que a levou às finais. "Nós estamos contentes com a atuação do Luna Rosa até o momento. Não temos uma vantagem de desempenho contra eles, mas toda a tripulação está consciente de que poderíamos ter ganho as duas primeiras regatas", disse o campeãoo olímpico. Para justificar o otimismo, Torben ainda lembrou das semifinais da Taça Louis Vuitton, as eliminatórias da Americas Cup. "Estamos perdendo de 2 a 0 e ja saímos de situações iguais. Na fase anterior chegamos a sofrer duas derrotas em três regatas decisivas e conseguimos a classificação. Mesmo que estiver 4 a 0 continuo acreditando que iremos reverter".
Toda a confiança demonstrada pela equipe Prada e também um exercício para superar o traumático dia da segunda regata. Logo depois de ter perdido espaco na largada para o Black Magic, um objeto submerso, possivelmente um saco plástico ou uma rede de pesca, enroscou-se na quilha do Luna Rosa e o veleiro perdeu velocidade, de repente. Um dos O responsaveis pelas velas de proa, Max Sirena, tentou livrar o barco do objeto com uma vara de fibra de carbono que se chocou contra a cabeca dele e fez um corte profundo. Max foi retirado do veleiro e levado ao hospital, onde recebeu sete pontos. Agora já esta liberado para a terceira regata.
Até se livrar do impecilho, o Luna Rosa perdeu muito tempo, enquanto os neozelandeses faziam mais uma regata perfeita passeando pelo Golfo de Hauraki para cruzar a linha de chegada com a folgada vantagem de 2m43s, depois de 2h12m13s de prova. Em uma das lanchas de apoio da equipe Prada, a frustração dos italianos era total. Nem a fartura de todos os tipos de queijos imagináveis e a qualidade do vinho diminuem a decepção. "Toda a má sorte que poderiamos ter, acho que tivemos hoje. Depois disso só pode melhorar", desejou o relações públicas do time italiano, Francesco Longaresi. O tático Torben Grael pensa um pouco diferente do companheiro de equipe. "Não acredito em azar
acho que temos que cercar a sorte".

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