Lançamento do guaraá Antarctica no exterior não preocupa Cade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 27 (AE) - O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gesner Oliveira, disse hoje que o lançamento do guaraná Antarctica no mercado internacional, por meio de um acordo entre a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) e a Pepsi, não provoca grande preocupação no órgão. "Em princípio, não há problema e é até louvável o esforço de exportação", afirmou Oliveira.
A declaração foi dada durante audiência pública convocada pela Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor da Câmara na qual foi discutida a fusão entre as fabricantes de bebidas Brahma e Antarctica, que resultou na criação da AmBev.
Gesner Oliveira explicou que o acordo entre a AmBev e a Pepsi deverá ser analisado junto com a fusão entre a Antarctica e a Brahma. O contrato para comercialização do guaraná Antarctica no exterior depende da aprovação da criação da AmBev.
Não há previsão de quando o Cade julgará a operação. A fusão entre a Antarctica e a Brahma foi anunciada no início de julho, mas até hoje a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, não se manifestou sobre a operação. Depois da Seae, será a vez de a Secretaria de Direito Econômico (SDE) elaborar um parecer sobre a fusão entre as fabricantes de bebidas. O presidente do Cade disse que é possível que o processo chegue à SDE por volta do dia 10.
Somente após esses dois pareceres que os integrantes do Cade se reunirão para decidir se a operação é ou não é prejudicial à concorrência no mercado de bebidas, especialmente de cervejas. O presidente do Cade lembrou que existem várias hipóteses de resultado para os julgamentos do Cade. O órgão pode aprovar totalmente uma operação, em parte ou rejeitá-la.
Um exemplo de aprovação parcial ocorreu no julgamento da compra da fabricante de cremes dentais Kolynos pela Colgate. Com o objetivo de diminuir os efeitos prejudiciais à concorrência decorrentes da operação, o Cade determinou que o uso da marca Kolynos fosse proibido por quatro anos.


