O combate à Aids continua se revelando um problema, agora com as questões que se levantam com o provável lançamento, em 2002, da primeira vacina - a CP120 -, desenvolvida pelo laboratório americano Vaxgen. Esta vacina entrará em teste final em outubro de 2002.

Convocadas pela primeira vez na semana passada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para discutir uma estratégia para garantir a produção da vacina e o seu acesso à centenas de milhões de pessoas, sete indústrias farmacêuticas manifestaram o temor de que países como Brasil ou África do Sul desencadeiem uma guerra para baixar o preço e, eventualmente, quebrem patentes. ''Estamos iniciando o diálogo. As indústrias dizem que podem produzir. Mas manifestaram temor'', disse José Esparza, coordenador do programa de vacinas de combate à Aids.

A pressão da OMS no momento, segundo ele, é tentar convencê-los de que é melhor cobrar um menor preço e venderem para mais pessoas, do que manter o preço alto e só vender para um número reduzido de pessoas ou governos.

A vacina da Vaxgen não ''cura'' os doentes de Aids, mas é preventiva - produz anticorpos - e poderia, dependendo do resultado final dos testes, evitar que milhões de pessoas sejam contaminadas pelo vírus HIV, ou manter o nível de vírus das pessoas infectadas a um ponto tão baixo que elas não precisam ser tratadas.

Cerca de 10 outras vacinas estão em estágios menos avançados de testes no momento, uma delas está sendo testada em vários países, inclusive no Brasil.

Segundo o especialista da OMS, além da Vaxgen, que é subsidiária da Genentech (que, por sua vez, é parte da gigante suíça Roche) e o laboratório americano Alphavax, e quatro grandes indústrias envolvidas em desenvolvimento das vacinas de combate à Aids participaram da reunião : Merck (EUA), Aventis (França-Alemanha), Glaxo Smith Kleine (Reino Unido-Bélgica), Chairon (EUA).

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