Lançado em Curitiba o Brasil Sem Homofobia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de junho de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Foi lançado ontem em Curitiba o programa Brasil Sem Homofobia (discriminação contra homossexuais) e a primeira Frente Municipal Parlamentar em HIV e Aids do País. O objetivo das organizações que lutam pelos direitos dos homossexuais é unir os poderes Executivo, Legislativo e os movimentos sociais no combate à doença e à violência contra gays, lésbicas e travestis. No Paraná, foram registrados 13.171 mil casos de pessoas que desenvolveram o vírus da aids desde o início da epidemia, em meados dos anos 80, até 2003. Quanto ao número de assassinatos violentos de homossexuais (que caracterizam homofobia), há registros de pelo menos 112 nos últimos 20 anos, quase seis por ano.
''Fizemos um programa com políticas públicas de combate à violência contra os homossexuais. E tomamos o cuidado de só adotar medidas que podem ser colocadas em prática imediatamente'', explicou a sub-procuradora geral do Ministério Público (MP) do Trabalho e membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação, Maria Aparecida Gugel, uma das idealizadoras do programa contra homofobia. Entre algumas políticas estão, por exemplo, o treinamento de todas as polícias, já que segundo Maria Aparecida, os policias ainda exercem discriminação contra os homossexuais e a fiscalização mais rígida do Ministério do Trabalho em relação ao preconceito no ambiente de trabalho.
Todas essas medidas, segundo a sub-procuradora, já estão negociadas com diversos ministérios e devem ser implantadas em breve. Todas as diretrizes do programa foram finalizadas no fim de abril deste ano.
Quanto ao combate à aids, o presidente do Grupo Dignidade, que defende os direitos dos homossexuais, Toni Reis, diz que é a idéia é fazer com que o Poder Legislativo colabore no desenvolvimento de leis que protegam os direitos dos portadores da doença, ajude no conquista de verbas dar assistências aos soro-positivos e ajude na construção de políticas públicas. Entre as reivindicações aos vereadores estão também a criação de uma lei municipal para Curitiba que combata a discriminação a homossexuais, como já acontece em Londrina e Foz do Iguaçu, e um trabalho mais intenso entre os grupos de risco de contaminação.
Vinte vereadores aceitaram participar da Frente Municipal Parlamentar em HIV e Aids. O Paraná já possui uma Frente Estadual Parlamentar que, segundo Reis, conta com 32 deputados estaduais.


