Curitiba - A duas semanas da realização do referendo nacional sobre a comercialização da venda de armas de fogo e munição, parlamentares integrantes da Frente pelo Direito à Legítima Defesa, que defendem o ‘‘não’’, acreditam que a propaganda gratuita em rádio e televisão está conseguindo reverter as pesquisas de opinião que até então vêm dando o ‘‘sim’’ como vitorioso.
  ‘‘O cidadão está recebendo mais informações. Ele começa a ver que terá que decidir sobre a retirada ou não de um direito seu. Agora, querem tirar o direito de comprar uma arma. Amanhã podem tirar o direito de ter um carro, já que os acidentes automobilíticos matam mais do que armas de fogo’’, afirmou o deputado federal Alberto Fraga (PFL-DF), presidente da Frente, que esteve em Curitiba ontem fazendo o lançamento da frente paranaense. No final de setembro, a Frente Brasil Sem Armas, que defende o ‘‘sim’’ também fez o lançamento no Paraná, com a presença do deputado federal Raul Jungman (PPS/PE), secretário-geral da frente.
  O grande argumento da campanha dos defensores do ‘‘não’’ refere-se ao direito do cidadão escolher se quer ou não ter uma arma. Fraga criticou a imprensa que, segundo ele, vinha tratando o assunto com ‘‘desequilíbrio’’ de informações e rebateu os números apresentados pela Frente Brasil Sem Armas. ‘‘A imprensa coloca os números de maneira equivocada’’, disse, citando uma reportagem de uma emisora de televisão, que afirmava que em 50% dos crimes de latrocínio as armas usadas eram legais. ‘‘A polícia carioca não consegue elucidar nem 3% dos crimes, então como é que eles sabem que 50% das armas são legais? Para isso, seria preciso chegar aos autores dos crimes’’, questionou.
  O deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR), delegado da frente no Paraná, também reafirmou posição contra o referendo, uma vez que o Estatuto do Desarmamento já garante a posse, o porte e o comércio legal de armas. Além do que, para eles, é incoerente o governo gastar R$ 564 milhões com a consulta. ‘‘Não é razoável o governo gastar isso para impedir que 1,2 mil armas sejam vendidas no comércio doméstico brasileiro. Ao mesmo tempo o governo não investe nada em segurança pública’’, criticou Fraga.

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