Florianópolis, 29 (AE) - Pela primeira vez o Brasil tem um estudo completo sobre o câncer no País que irá ajudar médicos
especialistas e até mesmo o governo na reavaliação de sua política curativa e preventiva. Até hoje, por exemplo, não se sabia que existe um total de cem mil doentes realizando tratamento nos hospitais e ambulatórios. Os dados, inéditos, estão computados no projeto "Câncer no Brasil", lançado oficialmente hoje no 11º Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica (SBOC), que acontece em Florianópolis (SC) até domingo e reúne os maiores expoentes na àrea de cancerologia.
O estudo faz ainda um alerta importante. "Se o governo não desenvolver ações rápidas e eficazes de prevenção a incidência de câncer no Brasil atingirá proporções alarmantes, podendo sofrer um aumento de 100% nos próximos 20 anos", revela a presidente da SBOC, Lucilda Cerqueira Lima. Segundo ela, o País apresenta uma condição especial em relação à frequência de patologias. Combina doenças ligadas à situação de de um país pobre, associado à doenças crônico-degenerativas compatíveis com os países desenvolvidos. "Isso é reflexo das contradições encontradas no processo de desenvolvimento do país", conclui.
De acordo com os dados levantados as causas mais frequentes de mortes são ocasionadas por cinco tipos de câncer: pulmão, estômago, mama, próstata e cólon retal. O estudo mostra, ainda, que a neoplasia maligna é a terceira grande causa de morte no Brasil, sendo que nos países desenvolvidos é a segunda causa de óbitos. O projeto inclui um completo banco de dados com informações sobre o câncer por regiões, Estados e municípios. Esses dados poderão ser acessados pela Internet ou em um detalhado software desenvolvido pela SBOC em conjunto com a Universidade Federal de Santa Catarina.

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