Lançada droga 10 vezes mais potente que o AZT
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quinta-feira, 04 de setembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
O presidente do laboratório inglês Glaxo Welcome, Jorge Raimundo, anunciou ontem o lançamento de uma droga para combater a Aids que substitui, com vantagem, o AZT. A substância ainda não foi batizada. Por enquanto, é chamada pela sigla 1592U89.
De acordo com o diretor-médico do laboratório, Heloísio Rodrigues, ela tem o mesmo mecanismo de ação do AZT: é um inibidor da transcriptase reversa. As semelhanças param por aí. A composição química é bastante diferente. A nova substância, fruto da engenharia molecular, vai trazer uma significativa melhora da qualidade de vida dos pacientes contaminados pelo HIV, assegurou Rodrigues.
Os estudos mostram que a nova droga é dez vezes mais potente que o AZT. O 1592U89 mostrou, ainda, ter risco menor de provocar a resistência do vírus, de acordo com Rodrigues. Cientistas já sabem as áreas do HIV responsáveis por mutações do DNA que tornam o vírus resistente. A substância consegue driblar esses pontos, garantiu Rodrigues. O vírus não consegue reconhecer a droga e, por essa razão, não cria mecanismos de defesa. Outra vantagem em relação ao AZT. Sabemos que, com o tempo, o vírus consegue criar resistência ao AZT, afirmou Rodrigues. A nova droga será uma fórmula para contornar esse problema.
O diretor-médico da Glaxo informou que a nova substância está sendo pesquisada há quatro anos, em diferentes centros. Os estudos, porém, estão concentrados nos Estados Unidos e na Inglaterra. Até o fim do ano, a droga deverá ser submetida à aprovação no FDA, órgão que regulamente drogas e alimentos. Segundo ele, o medicamento deverá começar a ser comercializado em um ano.
Rodrigues informou que o novo medicamento já foi usado em cerca de mil pacientes, em vários protocolos. Os resultados mostraram que, além de dificultar a criação de resistência pelo vírus, o 1592U89 tem uma ótima penetração no sistema nervoso central, o que permite interromper processos de demência. Muitos pacientes com HIV apresentam essa degeneração, provocada pelo ataque do vírus nas células do cérebro. Segundo o diretor-médico do laboratório, o remédio impede que essa destruição continue.
Em todos os estudos feitos, a droga mostrou ser superior ao AZT. De acordo com Rodrigues, há a possibilidade de ser realizada em São Paulo alguma linha de pesquisa com o medicamento, nos próximos meses. Ainda precisamos entrar em contato com os centros especializados, disse. A proposta do laboratório é de que a nova droga seja usada como um substituto do AZT nos coquetéis para combater a Aids.


