Difícil entrar em uma lan house, em qualquer horário do dia, e não encontrar pelo menos parte dos computadores ocupados. Passar horas enfurnado em lan house - sem comer e beber - é os mais novo vício, alvo de especialistas em psiquiatria.
''No Brasil, existem cerca de 44 milhões de usuários regulares de computador. Dez por cento deles já são dependentes sem saber'', alerta o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do projeto Dependentes de Internet, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
Para o psicólogo, essa geração acima de 12 anos abandonou o videogame e quer só a net. ''O Brasil é líder em conexão doméstica do mundo. E as lan houses popularizaram o uso de computadores e jogos porque são de fácil acesso a toda a população''.
Segundo o psicanalista Ailton Bastos, de Londrina, pesquisas recentes levaram terapeutas a comparar o vício de lan house e internet, com o jogo patológico, em que não há uso de substância, mas há dificuldade de controle no uso. ''Quando há dificuldade de parar, e a pessoa não analisa as consequências do que está vivendo - os prejuízos sociais, ocupacionais e familiares que tem - é um vício'', avalia.
A grande dificuldade de perceber o vício no caso de lan house ou internet, segundo o psicanalista, é que não há nenhum estigma social por usar computador por horas a fio. ''Se você diz 'fulano está usando drogas', mesmo que pouco, já tem um peso social. Agora, se é 'tal pessoa está horas na internet', tudo bem, ela está buscando informação, diversão. Então, fica complicado, até mesmo para a família, olhar e pensar que o filho pode estar viciado em internet''.
Mas, são vários os prejuízos que podem ser causados por esse vício - queda do rendimento escolar, problemas relacionais na família, perda de amigos ou de relacionamentos significativos, problemas posturais, por ficar muitas horas na mesma posição, e até problemas financeiros.
''O sinal de alerta para se preocupar são justamente os prejuízos que a pessoa começa a ter, sem se dar conta. Quem está de fora começa a falar, mas a pessoa não se importa e vai abrindo mão de outras coisas para que possa manter o vício'', alerta Bastos. Exemplo é quando a família propõe passeios ou atividades em lugares onde não há possibilidade de ir para uma lan house ou usar a internet. ''Isso demanda um sofrimento, porque ele está tão envolvido com aquela atividade que não consegue se ver sem ela'', avalia.
O psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, coordenador do Departamento de Dependências Não Químicas da Unifesp, atende 40 pessoas acima de 18 anos dependentes de computador. Ele acredita que a tendência é de aumento acentuado. ''Daqui a algum tempo teremos um boom de pessoas em tratamento'', diz.
O tratamento para o vício, segundo o psicanalista, passa necessariamente pela terapia. ''É difícil determinar quando buscar terapia, mas costumo dizer que é quando a pessoa está sofrendo ou fazendo alguém sofrer'', afirma.
Os grupos de adolescentes e jovens loucos por lan houses e net são unidos e organizados e trocam figurinhas na internet. No site de relacionamentos Orkut é possível até encontrar a comunidade ''Viciados em Lan House'' com mais de 40 mil integrantes. (Com Agência Estado)

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