Brasília, 23 (AE) - O Comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, deixou claro hoje que o maior interesse da União Européia no Mercosul e no Brasil são as áreas de serviços e indústria. "Mesmo que o Brasil não queira ou não possa incluir todos os setores dessas duas áreas a UE está disposta a negociar o que for possível e até fazer um acordo de transição mais flexível, compatível com o nível de desenvolvimento de cada país", explicou Lamy, que não citou o setor agrícola.
Como balanço de sua visita ao Brasil, o comissário comentou que ficou surpreso com a vontade brasileira de incrementar suas relações comerciais com a Europa. "Sempre tivemos simpatia pelo conceito do Mercosul, mas agora percebemos o quanto o bloco está sendo levado a sério pelos empresários de todo o mundo", comentou.
Ele disse levará para a Europa várias lições da sua visita ao país. A primeira será o grande interesse dos dois países em condensar suas relações comerciais e a de que o Mercosul não é mais apenas uma grande idéia para os países latinos americanos. É uma realidade concreta e muito importante para seus parceiros. "O presidente Fernando Henrique Cardoso não faz segredo da enorme importância do Mercosul para a economia do Brasil", exemplificou.
A sensibilidade do tema agrícola também vai ser melhor discutida com os membros da Comissão. Ele reclamou que o Brasil ainda tem uma visão muito antiquada da realidade agrícola européia. Lamy mencionou que na década de 90 a Europa passou por diversas modificações nesse setor. "A nossa disposição é ir reduzindo os subsídios às exportações como temos feito nos últimos dez anos", enfatizou o comissário.
Sobre os problemas com a legislação a respeito dos processos de dumping e antidumping, o comissário informou que esses processos dependem da legislação, o que não lhe dá nenhuma margem de flexibilidade para discutir essas questões. "São decisões baseadas em estatísticas e dados. O Brasil e a Europa precisam fazer uma revisão nas suas leis quanto a isso". A dúvida do comissário era quanto ao preço mínimo para as importações.
Lamy comentou que pensou que o Brasil tivesse adotado o sistema de preço mínimo para os produtos importados, deixando de lado sistema de licenciamento, porém, se os empresários europeus reclamarem, Lamy prometeu que a comissão irá primeiro entrar em contato com as autoridades brasileiras para maiores esclarecimentos.
O Comissário elogiou o desempenho do Mercosul durante as crises econômicas e como eles estão enfrentando as diferenças de câmbio entre os países, principalmente o caso brasileiro e argentino. "Nós temos 40 anos de experiência que podemos oferecer, isso só depende de vocês", disse.