Lamy contesta críticas ao fechamento da Comunidade Européia aos produtos latino-americanos19/Mar, 16:47 Por Wilson Tosta Rio, 19 (AE) - O comissário do Comércio da União Européia, Pascal Lamy, afirmou hoje que pretende, na visita de três dias que iniciou ao Brasil, discutir as relações comerciais multilaterais entre a UE e o Mercosul, mas não se mostrou simpático a propostas de maior abertura da Europa a produtos agrícolas latino-americanos. Lamy contestou algumas críticas ao fechamento da Comunidade Européia às importações de produtos agropecuários, que aumentaram após o fracasso da Cimeira União Européia, América Latina e Caribe, reunião de cúpula que os blocos realizaram em 1999 no Rio de Janeiro. "Se forem examinadas as exportações brasileiras para a União Européia, dois terços dessas exportações são livres de impostos", argumentou o francês, após uma visita de cerca de uma hora às obras de urbanização das favelas Vila Canoas e Pedra Bonita, em São Conrado. "Então, não é tão fechado como às vezes se diz". Na Cimeira, os latino-americanos não conseguiram avançar no sentido de maior abertura dos mercados europeus para seus produtos agropecuários. Um dos focos de resistência está entre agricultores franceses, que contam com subsídios que ajudam seus produtos a se tornarem competitivos. Lamy afirmou que negociações comerciais da UE com os latino-americanos só poderão ser feitas em uma rodada multilateral, ou seja, com a participação de diferentes países, o que, indiretamente, exclui a possibilidade de avanços significativos para os brasileiros nessa questão agora. "Isto (o debate comercial multilateral) também é o que vou discutir", revelou. Ele explicou que sua visita, além de preparar a ida do presidente Fernando Henrique Cardoso à Europa, no próximo mês, tem propósito de melhorar as relações Brasil/UE e Mercosul/Europa. O ministro, que visitou as favelas a convite da prefeitura do Rio - a UE é ums das financiadores das obras de urbanização do local, dentro do programa Bairrinho - procurou, em sua entrevista, vincular os conceitos de desenvolvimento comercial e social. "Sou o responsável pelo comércio da Comunidade Européia", explicou. "O desenvolvimento do comércio e o desenvolvimento social têm algo a ver, essa é a razão pela qual eu quis vir aqui: para mostrar que desenvolvimento social e comércio podem caminhar juntos". O secretário municipal de Trabalho, André Urani, que ciceroneou Lamy durante a visita, afirmou que o objetivo de levar o francês às favelas foi tentar garantir a renovação do apoio financeiro da UE à iniciativa. "Queremos ampliar as parcerias", disse ele. Nas comunidades de Vila Canoas e Pedra Bonita, vivem cerca de 1,2 mil pessoas, segundo a gerente do programa Bairrinho, Fátima Nascimento. Nas duas favelas, o investimento é de R$ 1,4 milhão, dos quais 55% saem dos cofres municipais. O resto é financiado pela União Européia, a ONG italiana Come Noi e outros parceiros. O Bairrinho, versão do Favela-Bairro para comunidades menores, com até 500 domicílios, está sendo realizado em 32 favelas cariocas.