Rio, 24 (AE) - O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, afirmou hoje que irá discutir as restrições ao aço brasileiro no mercado americano com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Bill Daley, que visitará o Brasil no dia 14 de fevereiro. Em discurso na posse da nova diretoria da Câmara Americana de Comércio no Rio de Janeiro, Lampreia classificou de "absurda" a política de adotar medidas antidumping contra os laminados produzidos a quente e a frio exportados pela siderurgia brasileira.
No discurso, o chanceler afirmou que não faz sentido impor restrições sob o argumento de que o controle estatal das grandes siderúrgicas brasileiras, antes de sua privatização, significou um subsídio para o setor. Ele lembrou que esta vantagem deixou de existir com a desestatização. "O preço pago pela siderúrgica inclui o subsídio", argumentou.
Após a solenidade, Lampreia admitiu que, até agora, os esforços do governo para eliminar barreiras aos produtos brasileiros nos Estados Unidos "muito raramente" têm tido êxito. A intenção brasileira também é de liberar a entrada de produtos têxteis e calçados, acrescentou."O setor de aço é onde o protecionismo tem tido maior sucesso", afirmou.
OMC - Lampreia contou que pediu ao subsecretário geral de Assuntos de Integração e Comércio Exterior do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, para viajar aos Estados Unidos na próxima semana, com o objetivo de discutir o fortalecimento da Organização Mundial de Comércio (OMC), idéia defendida pelos EUA. Ele afirmou que o fracasso das negociações da OMC em Seattle não foi definitivo, mas uma "oportunidade perdida".
O chanceler alertou que não é o momento de lançar uma nova rodada da OMC. "Um segundo fracasso pode, sim, ser altamente nocivo", justificou em seu discurso. Na análise do ministro das Relações Exteriores, o fracasso da Rodada de Seattle não fortalece automaticamente a Aliança de Livre Comércio para as Américas (Alca). "Não é o momento de regionalismos", defendeu Lampreia. No entanto, logo em seguida, o ministro defendeu o Mercosul como um bloco econômico que "não se provou negativo para ninguém".
Argentina - Na avaliação do ministro, o pacote que o governo argentino deve lançar para evitar que empresas migrem daquele país para o Brasil é "bem-vindo", porque seu objetivo é aumentar a competitividade argentina. "O Brasil não tem nenhum interesse de que haja migração industrial da Argentina", afirmou Lampreia. A União Industrial Argentina (UIA) informou que, no ano passado, cem empresas mudaram de um país para o outro.
O ministro afirmou que o objetivo de melhorar a competitividade dos países do Mercosul também é o fundamento das negociações entre os dois países na indústria automobilística. "Queremos o livre comércio, mas estamos dispostos a admitir um período de transição", defendeu.

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