Seattle, 03 (AE) - O Partido dos Trabalhadores (PT) manifestou apoio à posição do governo brasileiro sobre cláusula social e ambiente, nas discussões da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo texto divulgado hoje (03) pelo chanceler Luiz Felipe Lampreia.
Um porta-voz do partido havia negado esse apoio ontem, desmentindo afirmação do ministro em Seattle. Lampreia distribuiu reprodução com o cabeçalho "Partido dos Trabalhadores / Liderança da Bancada na Câmara dos Deputados". O texto é apresentado como expressão das "diretrizes básicas que o Partido dos Tabalhadores gostaria que o governo brasileiro seguisse na difícil e crucial" Rodada do Milênio.
O PT, segundo o texto, não pode descartar a discussão da cláusula social e do meio ambiente na Rodada. "Entretanto, o PT não pode também apoiar a tentativa dos Estados Unidos e da União Européia (UE) de vincular, de maneira direta e oportunista, tais assuntos ao comércio internacional", afirma o documento.
"Saliente-se que tal vinculação poderá resultar em barreiras não-tarifárias que afetarão, de forma discriminatória, as exportações dos países em desenvolvimento." Tem sido essa a posição defendida pela representação brasileira na OMC.
O texto do PT propõe ainda a "negociação de uma agenda construtiva em torno de tais temas, a qual deveria incluir a cooperação Norte-Sul como sua pedra de toque".
Lampreia reafirmou a posição da diplomacia brasileira favorável, no máximo, a uma discussão do tema trabalhista por um comitê com representação de várias agências internacionais (incluindo, por exemplo, o Banco Mundial, o Fundo Monetário, a OMC e a Organização Internacional do Trabalho), mas sem a adoção de regras e sanções aplicáveis ao comércio.
Ele reiterou essa disposição ao comentar a referência feita ao Brasil, no dia anterior, pelo presidente Clinto, que mencionou o trabalho infantil e fábricas de sapatos. É uma "questão delicada", disse Lampreia, afirmando que "o Brasil inteiro" se preocupa com o problema e vem procurando resolvê-lo.
O chanceler mencionou os programas desenvolvidos tanto pelo setor público - bolsas de estudo, por exemplo - quanto pelo setor privado - como os programas da Abrinq e de outras entiades empenhadas em afastar crianças do trabalho e colocá-las na escola.

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