O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, descartou ontem, no Rio, a possibilidade de o Brasil enviar ‘‘tropas combatentes’’ em uma possível força de paz internacional a ser constituída para intervir na Guiné Bissau. Segundo ele, o País tem tido ‘‘presença diplomática intensa’’ nas negociações de mediação sobre a crise na Guiné, mas cogita enviar apenas funcionários de apoio, como médicos e ‘‘pessoal da área policial’’.
A possibilidade e a forma de intervenção na Guiné-Bissau foram discutidas na semana passada por delegações do Brasil, Angola, Cabo Verde e Portugal, que se reuniram na Ilha do Sal, em Cabo Verde, na costa africana. O Brasil defendeu no encontro que a força a ser constituída seja reduzida e tenha caráter de observação, não de intervenção propriamente dita. Uma das hipóteses levantadas, porém, é a constituição de uma tropa interventora formada por integrantes das Forças Armadas dos países da Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa, à qual os brasileiros se opõem.
‘‘De qualquer modo, excluímos o envio de tropas combatentes’’, repetiu Lampreia depois de participar da sessão inaugural do XXV Curso de Direito Internacional da Comissão Judírica Interamericana da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada na sede da Fundação Getúlio Vargas.
Os conflitos na Guiné-Bissau começaram em 7 de junho, quando o general Asumame Mané, demitido pelo presidente José Bernardo Vieira do cargo de comandante das Forças Armadas, reagiu com uma tentativa de golpe de Estado. Tropas fiéis a Mané, que perdera o cargo sob a suspeita de contrabandear armas para guerrilheiros do movimento separatista de Casamansa, no sul do Senegal, ocuparam os quartéis e o aeroporto da capital, Bissau. Em 26 de julho, a CPLP conseguiu fixar o primeiro cessar-fogo entre os rebeldes e as tropas legalistas. Esse acordo previa a realização de negociações para constituir uma força de paz.Otávio Magalhães/AEPresença brasileiraLuiz Felipe Lampreia só admite o envio de funcionários de apoio, como médicos e ‘‘policiais’’ numa eventual força de paz internacional a ser constituída pela ONU para intervir na Guiné Bissau
Wilson Tosta
Agência Estado

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