Brasília, 25 (AE) - O ministro das Relações Exteriores, embaixador Luiz Felipe Lampréia, defendeu nesta quarta-feira (25) a retomada do Projeto Calha Norte como forma de estimular a ocupação da Amazônia e, com isso, fortalecer a fronteira do País.
Ele fez essa afirmação durante debate na Comissão de Relações Exteriores sobre as possíveis consequências para o Brasil do avanço dos conflitos internos na Colômbia entre o governo e a guerrilha.
"Sem guarnição de fronteira, a defesa diplomática fica sensível", afirmou o chanceler. Ele reiterou que o governo brasileiro é contra a intervenção militar como forma de solução para os problemas na Colômbia, mas não descartou a possibilidade de uma ajuda futura para intermediar as negociações de paz.
Ele informou ainda que o Itamaraty não está pensando em estabelecer "qualquer diálogo" com grupos guerrilheiros colombianos que estariam interessados em contatar a diplomacia brasileira. "Não toleraremos que isso aconteça conosco", afirmou.
O chanceler também reiterou a posição do governo brasileiro, contrária à intervenção militar na Colômbia, ameaçada pelos Estados Unidos.
"Estamos dispostos a estudar demandas recebidas dos países amigos, mas desde que haja uma solicitação expressa por parte de seus governos, o que até agora não ocorreu", afirmou.
Ele admitiu que a situação colombiana é "preocupante", principalmente depois da estagnação do processo de paz e do avanço dos grupos guerrilheiros.
Segundo Lampréia, é preciso evitar que "previsões alarmistas" sobre o desfecho do conflito interno na Colômbia prejudiquem ações possíveis de serem feitas. "Temos de preservar nosso patrimônio de interlocutor confiável de nossos vizinhos", ressaltou o chanceler, referindo-se à atuação do Brasil na solução da disputa de uma parte do território na fronteira entre Peru e Equador.
O Projeto Calha Norte foi criado no governo Sarney, mas foi praticamente desativado nos últimos anos por falta de recursos orçamentários. Sob a coordenação das Forças Armadas, o governo brasileiro iniciou várias atividades de desenvolvimento da Amazônia para estimular a ocupação da região fronteiriça.
"Apesar das dificuldades de recursos, o Calha Norte tem forte apoio das Forças Armadas e do Itamaraty", disse o chanceler. Segundo ele, a retomada do projeto é uma forma de organizar a presença do Estado brasileiro naquela região, e não apenas dos militares.

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