Lampreia critica sobretaxa da Argentina ao aço brasileiro
Buenos Aires, 23 (AE-DOW JONES) - O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, criticou a decisão da Argentina de aplicar sobretaxas ao aço brasileiro em entrevista publicada hoje (23) pelo jornal El Cronista, de Buenos Aires.
Entrevistado em Brasília, Lampreia disse que o "processo de cálculo e a determinação de margem de dumping" usados pela Argentina no caso do aço é motivo de "inquietações" para o governo brasileiro.
Lampreia disse que o Brasil enviou uma delegação a Buenos Aires para buscar um acordo sobre a questão antes da decisão argentina de adotar medidas antidumping, mas "as conversações foram muito negativas". "Parece-nos que a decisão já tinha sido tomada, ou seja, que o lado argentino não estava querendo nos ouvir", afirmou.
Na segunda-feira, a Argentina fixou preços mínimos de US$ 410 por tonelada de aço laminado a quente do Brasil e de US$ 315 para o aço da Rússia e da Ucrânia. Pelas normas, os importadores argentinos que aceitarem preços abaixo do mínimo deverão depositar uma garantia igual à diferença entre o preço fixado pelo governo e o preço declarado na alfândega. O importador perderá a garantia se o governo comprovar que houve dumping.
A Argentina iniciou o processo antidumping com base numa solicitação da siderúrgica local Siderar. A questão do aço, que causou um atrito entre os dois parceiros do Mercosul, deve ser discutida numa rodada de negociações bilaterais que será realizada este fim de semana, disse Lampreia.
Representantes do Ministério das Relações Exteriores deverão dar uma entrevista coletiva esta tarde às 16h em Brasília sobre o encontro com a Argentina. As conversações de dois dias começam domingo.
Lampreia também defendeu a decisão do Brasil de iniciar negociações unilaterais (excluindo os sócios do Mercosul) sobre livre comércio com a Comunidade Andina (Bolívia, Peru, Equador, Venezuela e Colômbia). "Há circunstâncias muito específicas que nos fazem avançar para um acordo com a Comunidade Andina", afirmou o ministro.
"A importância das relações econômicas e comerciais entre o Brasil e os andinos é muito diferente", dado que os outros países do Mercosul "têm uma relação muito distante" da Comunidade Andina.
O ministro indicou que discorda das declarações da Argentina de que os membros do Mercosul teriam se comprometido a buscar acordos comerciais sempre como um bloco.
Ele ressaltou que Argentina e Uruguai assinaram no ano passado acordos bilaterais com o México. "Nós não fomos nem mesmo avisados" de que as conversações estavam sendo mantidas, acrescentou.





