Lampreia admite que decisão sobre asilo a Cubas foi partilhada com a Argentina
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Tânia Monteiro e Isabel Braga 
Brasília, 30 (AE) - O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, admitiu nesta terça-feira (30) que a decisão sobre a concessão de asilo político ao ex-presidente do Paraguai, Raúl Cubas Grau, foi uma "solução partilhada" entre Brasil e Argentina.
"E é bom que seja assim porque os países são amigos", disse Lampreia, ao comentar que a Argentina consultou o Brasil sobre o asilo a ser dado ao general da reserva Lino Oviedo, pivô da crise paraguaia.
Segundo o ministro, o Brasil respondeu aos argentinos que não via nenhum problema em receber Oviedo "mesmo porque nós estávamos pensando em asilar politicamente Raúl Cubas". Lampreia assegurou, no entanto, que em nenhum momento se cogitou a vinda do general Oviedo para o Brasil.
Para o ministro Lampreia, o caminho político encontrado pelo Paraguai foi uma "demonstração de maturidade". "O Paraguai está no caminho democrátrico e por isso continua plenamente integrado ao Mercosul", declarou o chanceler.
Desde o início da crise o presidente Fernando Henrique Cardoso advertiu, por diversas vezes, que somente países onde há o regime democrático podem fazer parte do Mercosul. O ministro insistiu que a solução paraguaia cumpriu todas as regras democráticas e, por isso, o Paraguai continua plenamente integrado ao bloco.
O ministro Lampreia informou que o Ministério das Relações Exteriores enviou um diplomata a Santa Catarina, onde se encontra o ex-presidente paraguaio, a fim de verificar se ele está precisando de algum apoio do governo brasileiro. O chanceler assegurou, no entanto, que não há nenhum encontro previsto entre Raúl Cubas e o presidente Fernando Henrique.


