SÃO PAULO - Lamia Maruf Hassan acordou assustada na manhã de ontem, seu segundo dia de liberdade no Brasil. ‘‘Ouvi gritos na porta da minha casa e achei que era uma manifestação contrária a minha liberdade’’, contou. Na verdade, eram crianças do Colégio Ricardo Nunes que brincavam durante o recreio. ‘‘Ainda não estou me sentindo livre, minha cabeça está confusa demais.’’ Ela afirmou não estar conseguindo comer nem dormir direito. ‘‘Lembro o tempo da prisão e não me acostumo ao conforto’’, disse. Lamia trouxe cigarros e pacotes de café comprados na prisão. ‘‘Não consigo aproveitar as coisas boas sabendo que meu marido e muitos outros presos continuam sofrendo’’, afirmou. ‘‘Adoro café caseiro, mas não me sinto bem em tomar: é estranho.’’
Ontem, Lamia passou o dia dando entrevistas. Pela manhã, a convite da Rede Bandeirantes, fez um vôo de helicóptero por São Paulo. ‘‘Voar para mim é a maior expressão de liberdade’’, comentou. ‘‘Tive muita vontade de chorar’’.
Lamia recebeu ontem muitos telefonemas e telegramas. Entre eles, do ex-chanceler brasileiro Abreu Sodré. ‘‘Ele me mandou uma mensagem desejando felicidades’’, disse. Ela contou ter recebido também muitos convites para viajar. ‘‘Tenho vontade de ir para a serra’’, ressaltou.
Sua família falou ontem sobre os planos de ir morar em Ramallah, cidade a 15 quilômetros de Jerusalém. Ali seu pai comprou um apartamento para cada filho. Lamia acredita que não terá dificuldades para voltar a Israel. Segundo ela, em questão de meses poderá estar lá novamente.

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