Lamia diz ainda não se sentir livre
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - Lamia Maruf Hassan acordou assustada na manhã de ontem, seu segundo dia de liberdade no Brasil. Ouvi gritos na porta da minha casa e achei que era uma manifestação contrária a minha liberdade, contou. Na verdade, eram crianças do Colégio Ricardo Nunes que brincavam durante o recreio. Ainda não estou me sentindo livre, minha cabeça está confusa demais. Ela afirmou não estar conseguindo comer nem dormir direito. Lembro o tempo da prisão e não me acostumo ao conforto, disse. Lamia trouxe cigarros e pacotes de café comprados na prisão. Não consigo aproveitar as coisas boas sabendo que meu marido e muitos outros presos continuam sofrendo, afirmou. Adoro café caseiro, mas não me sinto bem em tomar: é estranho.
Ontem, Lamia passou o dia dando entrevistas. Pela manhã, a convite da Rede Bandeirantes, fez um vôo de helicóptero por São Paulo. Voar para mim é a maior expressão de liberdade, comentou. Tive muita vontade de chorar.
Lamia recebeu ontem muitos telefonemas e telegramas. Entre eles, do ex-chanceler brasileiro Abreu Sodré. Ele me mandou uma mensagem desejando felicidades, disse. Ela contou ter recebido também muitos convites para viajar. Tenho vontade de ir para a serra, ressaltou.
Sua família falou ontem sobre os planos de ir morar em Ramallah, cidade a 15 quilômetros de Jerusalém. Ali seu pai comprou um apartamento para cada filho. Lamia acredita que não terá dificuldades para voltar a Israel. Segundo ela, em questão de meses poderá estar lá novamente.


