Lamia chega ao Brasil e diz que não se arrepende de nada
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 1997
Agência Estado, 
de São Paulo
Silvio Ribeiro/Agência EstadoSuperstarLamia desembarcou ontem em Cumbica e se assustou com a quantidade de pessoas que a aguardavamDepois de passar dez anos e oito meses na prisão, Lamia Maruf Hassan não se arrepende de ter participado do sequestro e assassinato do soldado israelense. Mesmo que tivesse de morrer atrás das grades, jamais pediria perdão, afirmou ontem, em seu primeiro dia de liberdade no Brasil. Tudo o que fiz foi dentro de um contexto político: não sou uma prisioneira comum.
A brasileira foi recebida pela manhã no Aeroporto de Cumbica com tratamento de superstar. Até funcionários do aeroporto pararam de trabalhar para vê-la chegar. Mas Lamia não demonstrou intenção de permanecer no País por muito tempo. Quer voltar para Israel assim que conseguir revogar sua deportação. Para mim, a idéia de não poder voltar para lá é inconcebível, enfatizou. Preciso ver meu marido e continuar a luta pela paz.
Lamia acredita que tudo o que aconteceu no passado - inclusive o atentado de que participou - fez com que os governos acordassem para a paz. Ela garantiu não ter dúvidas de que terá o direito de voltar para Israel e que seu marido será solto. A última retirada dos presos será, no máximo, em 99, disse, convicta.
A brasileira afirmou ter conversado muito sobre isso com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. Ainda não me sinto totalmente livre; só vou me realizar quando todos forem soltos.
Ela contou que na época em que houve o sequestro, tinha consciência de tudo o que estava fazendo, embora tivesse 19 anos. Hoje, não teria mais sentido agir daquela forma, comentou. Mas o que fizemos foi importante para chegar onde estamos. Lamia acrescentou que o radicalismo dos palestinos têm explicação. Lutávamos por terra, destacou. Não entendo, porém, as atitudes radicais do outro lado.
A ex-prisioneira fez questão de ressaltar que sua participação no crime do soldado foi secundária. Eu apenas dirigi um carro, justificou. Não sabia o que iria acontecer, fazia poucas perguntas. Lamia contou que ela e o marido cumpriram ordens do governo. Agimos como soldados, só que sem farda, afirmou. Eu fui uma simples participante.
Ontem, deputados federais estiveram no aeroporto e também foram a sua casa lhe prestar homenagens - a maioria do PC do B. O governador do Espírito Santo, Vítor Buaiz, telefonou para ela e, de acordo com Lamia, deve ajudá-la a relizar seus projetos.
Nos anos em que viveu na prisão, Lamia contou ter lido demais. Aprendeu a falar três idiomas e deu aula de inglês. Eu recebia muita informação lá dentro, contou. Às vezes, as pessoas vinham me visitar e ficavam assustadas de ver que eu sabia mais que elas.


