Lama avança e Espírito Santo faz apelo por água mineral
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terça-feira, 10 de novembro de 2015
Alex Cavalcanti<br>Folhapress 
Vitória - O governo do Estado do Espírito Santo lançou ontem uma campanha para a doação de água mineral para abastecer os moradores dos municípios de Baixo Guandu, Colatina e Linhares, que devem ser afetados pela onda de lama resultante do rompimento das barragens da mineradora Samarco em Mariana (MG). As doações estão sendo recebidas pelo Corpo de Bombeiros do Espírito Santo.
As aulas foram suspensas em Baixo Guandu e, a partir de hoje, em Colatina. Não há data de quando serão retomadas. A previsão é que os rejeitos atingissem o reservatório da represa de Aimorés até o final da tarde de ontem, quando seria suspensa a captação de água para abastecimento do município de Baixo Guandu, na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais. Cerca de 25 mil pessoas devem ser afetadas. Depois, a lama deve chegar a Colatina, cidade com 111 mil habitantes, na manhã de hoje e seguir até Linhares, onde moram cerca de 140 mil pessoas. Além de água mineral, governo e prefeituras pedem ajuda a empresas que possam ceder carros-pipa para atuar nos municípios. Em Colatina, cerca de 30 carros-pipa emprestados por outras prefeituras já estão mobilizados para assegurar o abastecimento de água para moradores e serviços essenciais, como hospitais e postos de saúde. A captação e tratamento de água no município, no entanto, só serão interrompidos quando a lama chegar à cidade.
O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, montou um comitê de emergência para acompanhar o caso. O prefeito de Colatina, Leonardo Deptulski, disse que, assim que a lama atingir a cidade, serão feitas análises sobre a qualidade da água. "Acho que teremos ao todo entre 40 e 50 carros-pipa para mantermos o mínimo de atendimento, mas infelizmente o carro-pipa não substitui a captação." Máquinas da Prefeitura de Linhares começaram a trabalhar na manhã de ontem para remover bancos de areia que, devido à seca no Espírito Santo e Minas Gerais, haviam fechado a foz do Rio Doce - o objetivo é facilitar o escoamento da lama. Desde o mês passado o rio já não chegava ao mar, por conta do baixo volume de água.
MORTOS
A polícia confirmou ontem o nome da segunda vítima fatal do rompimento de duas barragens na zona rural de Mariana. Com a identificação, há ainda 25 pessoas desaparecidas após a tragédia. Segundo o delegado Rodrigo Bustamante, a família de Sileno Narkievicius de Lima, 47 anos, identificou o corpo. Ele era motorista da Integral Engenharia, empresa que prestava serviços à Samarco, mineradora responsável pelas barragens. O corpo dele será levado para velório e enterro em João Monlevade, cerca de 110 km de Belo Horizonte.
Além dos dois mortos identificados, há ainda outros dois corpos que foram achados com lama na região da tragédia. A polícia aguarda a identificação para saber se há relação com o rompimento das barragens.


